"Brava Gente" aposta na literatura

Para encerrar as festividades pelos 35 anos da "Rede Globo" e os 50 anos da televisão no Brasil, nada melhor que uma grande confraternização entre os diretores e atores da emissora. O resultado dessa idéia é o especial Brava Gente, uma reunião de oito contos da literatura nacional e universal, adaptados e modernizados sob a ótica de vários roteiristas brasileiros, que serão exibidos nos dias 26, 27 e 28 de dezembro, após a novela Laços de Família. O responsável pela idéia é o diretor Guel Arraes, que se identificou como uma espécie de "secretário" do resto do grupo. "Foi um projeto coletivo, que nasceu de uma reunião de diretores para definir qual seria a programação de fim de ano. Como a intenção era fazer algo envolvendo todos os núcleos, surgiu o Brava Gente", explicou o diretor, que também adaptou e dirigiu um dos contos escolhidos para o especial. A escolha de cada conto foi feita pelos próprios diretores, diante de uma listagem apresentada por Guel com cerca de 100 histórias diferentes. Segundo Guel, a grande semelhança entre os oito contos é a essência brasileira de cada um dos personagens. "Entre todas as histórias, a única que não foi adaptada de uma obra brasileira é O Casamento Enganoso, do espanhol Miguel de Cervantes. Mesmo assim, o rumo que o Walter Avancini (diretor responsável por este conto) deu à trama, ninguém fala que aquela história não se passou no Brasil", destaca Guel. A repercussão de O Auto da Compadecida, adaptado da obra de Ariano Suassuna e dirigido no ano passado por Guel Arraes para a "Globo", e que neste ano transformou-se em filme, foi apontado por diretores como Herval Rossano e Jorge Fernando como um dos responsáveis pelo interesse da emissora em aliar suas produções à literatura. "Tenho de parabenizar o Guel pelo espaço que ele conseguiu, tanto no Auto, quanto agora, com o Brava Gente, porque investir mais em produções baseadas na literatura brasileira é algo que tento há muitos anos. Sou um amante da literatura e acho que esse especial vai provar que é possível adaptá-la para a modernidade, sem interferir na beleza das obras", destacou Rossano, que já assinou várias direções de novelas de época, como A Moreninha, O Feijão e o Sonho, entre outras.Para Jorge Fernando, Brava Gente poderá fazer com que se busque um novo padrão de estética e qualidade das produções brasileiras. "O sucesso do Auto alavancou o interesse de se voltar a produzir coisas de qualidade. Espero que isso também motive os profissionais a buscar o mesmo prazer de se fazer TV que existia há 20 anos".

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