Bratke é reeleito presidente da Bienal

A crise envolvendo a Bienal de São Paulo parece ter amainado. Ontem à noite, o Conselho da Fundação Bienal reconduziu o arquiteto Carlos Bratke à presidência da instituição, dando-lhe condições de apresentar um novo projeto para a 25.ª edição da mostra, programada para 2002, após uma série de adiamentos. O resultado da eleição ? o voto foi secreto, a pedido do próprio Bratke ? indica que a harmonia atingida é frágil. Apenas 23 dos 40 conselheiros reunidos no Pavilhão do Parque do Ibirapuera votaram a favor de Bratke, enquanto 17 foram contra sua permanência. Bratke tem agora até o dia 28, data da próxima reunião do Conselho, para remontar sua equipe de diretores. Nessa reunião também será eleito o próximo presidente do Conselho, já que Luiz Seraphico de Assis Carvalho renunciou ao cargo, seguido pelo curador Ivo Mesquita e por um grupo de conselheiros que discorda veementemente da política desenvolvida pelo arquiteto. Os vice-presidentes de sua chapa anterior, Milú Villela e Jens Olensen, também deixaram seus cargos em 27 de julho, detonando a mais recente das crises que vêm abalando a instituição desde fevereiro. Os outros membros do executivo da Fundação, com exceção de René Parrini, deixaram ontem seus cargos para o presidente recompor a equipe da forma que melhor lhe aprouver. "Mas que fique claro que eu só renunciei a meu cargo na diretoria após Bratke ter sido reconduzido ao cargo", afirmou o livreiro Pedro Corrêa do Lago. Ele também fez questão de ressaltar que a ata redigida por ele, que foi o estopim do último conflito, foi aprovada pelos 40 conselheiros presentes à reunião. Lamento ? Embora não tenha renunciado à vaga no Conselho, como fizeram Milú Vilella e os outros conselheiros, Olensen saiu da reunião lamentando os efeitos nefastos dessa crise para a Bienal. "A grande perda é o curador, que era a pessoa certa", afirmou ele. Bratke deverá constituir nos próximos dias uma espécie de colegiado de artistas e críticos para discutir os rumos da Bienal de 2002. Esse conselho deverá restabelecer as bases de funcionamento da mostra. "Entre as críticas que tenho ouvido estão a de que a Bienal é um evento caríssimo, que virou colonialista e que os artistas não estão sendo prestigiados", disse ele. Indícios de que o poder do curador da próxima Bienal será esvaziado, cabendo a ele executar um projeto, em vez de criar um conceito expositivo.

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