BrasilTelecom investe nas artes cênicas

Talvez ainda seja cedo paracomemorar, mas a política de patrocínios começa a apresentarsinais de mudança. Pelo menos essa é a percepção dos primeirosartistas paulistanos de artes cênicas patrocinados, a partirdeste ano, pela BrasilTelecom: Antonio Araújo, Hugo Possolo e acoreógrafa Renata Melo."Levei um susto quando alguém da empresa entrou emcontato dizendo que havia interesse em patrocinar a companhia.Achei que fosse trote", conta Tó Araújo. Embora o contrato nãotenha sido formalmente assinado, a BrasilTelecom vai patrocinara remontagem da trilogia do Teatro da Vertigem - Paraíso Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1,11, prevista para iniciarno dia 3 de outubro em São Paulo. "Achei a conversainteressante. A responsável pela área de patrocínios culturaisme pareceu uma pessoa bastante esclarecida, com uma visão dequalidade artística que eu nunca tinha visto antes nesses casos.Iniciativas como essa fazem a gente pensar em sinais de mudançano caipirismo do empresariado brasileiro, que costuma fazer dopatrocínio um balcão de negócios, com preocupações comopoltronas de veludo ou nomes globais."Possolo viveu uma experiência semelhante. "Eles noschamaram para conversar", conta. "Depois de termos mostradoalguns projetos, pergutaram qual era a nossa prioridade." Com opatrocínio da BrasilTelecom, começa no dia 21 de agosto, noTeatro Sérgio Porto, no Rio, o Tour Sardanapalo 2002. Depois datemporada carioca, o grupo apresenta o espetáculo Sardanapalo emCuritiba, Porto Alegre, Santa Maria, Florianópolis e Brasília."E ainda acenaram com a possibilidade desse patrocíniotornar-se permanente."Os paulistanos já tiveram a oportunidade de ver oespetáculo Passatempo, da coreógrafa Renata Melo, cujamontagem foi patrocinada pela BrasilTelecom, assim como atemporada carioca. "Fomos a primeira companhia patrocinada emSão Paulo. Sei que há um interesse da empresa, no que dizrespeito ao negócio de telefonia, pela praça paulistana e achomuito significativa essa entrada pela cultura, principalmentequando se dá de forma não imediatista, com preocupação com aqualidade artística."Uma carioca de 43 anos, economista formada pela PUC/Rio,com passagem elogiada pela Secretaria Municipal de Cultura doRio, Eva Doris, é a gerente de projetos culturais e sociais daBrasilTelecom, cargo que ocupa desde 2000. Em 2002, a empresaaplica R$ 23 milhões, em 160 projetos culturais e sociais em 11Estados. São projetos como o Ateliê de Criação Teatral, de LuísMelo, no Paraná; o espetáculo Woyzeck, dirigido por CibeleForjaz, no Rio e a peça O Anel de Magalão, de Luis Albertode Abreu com o grupo Chama Viva, de Tocantins. Ou ainda aconstrução do Hospital do Câncer, de Porto Velho, e o projetoBolsa Escola Cidadã, em Xapuri, no Acre.Em entrevista à reportagem, Doris falou sobre algunspontos que vêm causando polêmica na política de patrocínios. Oprimeiro deles diz respeito aos critérios de escolha. "Emprimeiro lugar, a área de patrocínios culturais e sociais estáligada diretamente à presidência da empresa e totalmentedesvinculada da área de marketing." Eva ressalta que escolhassempre envolvem uma carga de subjetividade, mas por isso mesmohá algumas linhas mestras - busca de excelência com apoio acompanhias ou artistas reconhecidos; aposta na renovação, cominvestimento em grupos experimentais e, ainda, investimento nointercâmbio cultural, com apoio à itinerância das companhias."Há funcionários responsáveis por acompanhar o panoramacultural em cada Estado e nos reunimos com muita freqüência",diz Eva, que também acompanha pessoalmente o trabalho de muitascompanhias.Doris falou ainda sobre outro tema polêmico, a exigênciade "contrapartida" em trabalho social para o patrocíniocultural. "Não fazemos esse tipo de exigência. O trabalho deuma companhia como o Teatro da Vertigem, só para citar umexemplo, é de uma valia inquestionável. O grupo não precisa darmais do que isso. É outro o patrocínio social, como a construçãodo Hospital do Câncer, em Porto Velho, Rondônia. São áreasseparadas."Outra preocupação da empresa é o patrocínio permanente."Se a parceria é boa, a idéia é sua manutenção. Patrocinamos aCasa da Gávea, no Rio, por exemplo, desde 1999." Na conversacom as três companhias paulistanas, Eva "acenou" com apossibilidade de estender o patrocínio para os próximos. E elanão teme o panorama de crise internacional. "A BrasilTelecom éuma empresa de telefonia saudável. E há interesse em manter acurva ascendente no que diz respeito ao montante e à abrangênciada política de patrocínio."A empresa recebe projetos para 2003 - em qualquerformato, não há formulários específicos - até outubro.Informações no site www.brasiltelecom.com.br.

Agencia Estado,

01 de agosto de 2002 | 17h29

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