Brasília se divide entre ficção e documentário

O mais antigo evento do gênero no Brasil divulga seus concorrentes, aposta em inéditos e na cisão de gêneros

LUIZ ZANIN ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2013 | 03h02

Em sua 46.ª edição, o Festival de Brasília (17 a 24 de setembro), traz uma seleção de filmes inéditos para a competição. E, como no ano passado, persiste na segmentação entre gêneros - seis longas de ficção e seis longas documentais disputam os principais "Candangos", o troféu do festival. Além dos longas, competem 18 curtas, divididos em três grupos de seis: ficções, documentários e animações.

Esse formato é discutível - nenhum dos grandes festivais do mundo (Berlim, Cannes e Veneza) o utiliza. Críticos acham anacrônica essa divisão num tempo em que, pelo contrário, a fusão de gêneros e a (con)fusão de fronteiras passa a ser quase lugar-comum do cinema contemporâneo. Mas, como essa segmentação agrada, de maneira geral, aos documentaristas, a tendência é de que fique.

O festival será aberto dia 17 de setembro, no Teatro Nacional, com a exibição de Revelando Sebastião Salgado, de Betse de Paula, documentário que antes disso passa pela serra gaúcha e concorre no Festival de Cinema de Gramado (9 a 17/8). No dia seguinte, o festival volta para sua sede, o Cine Brasília, que passava por reformas no ano passado. Os cinéfilos tiveram saudades da antiga casa.

A partir do dia 18, até a cerimônia de encerramento, dia 24, Brasília respira cinema. Em competição, filmes de vários Estados e regiões do País. Os de ficção A Estrada 47 (A Montanha), de Vicente Ferraz (RJ), Avanti Popolo, de Michael Wahrmann (SP), Depois da Chuva, de Claudio Marques e Marília Hughes (BA), Exilados do Vulcão, de Paula Gaitán (RJ/MG), Os Pobres Diabos, de Rosemberg Cariry (CE), e Riocorrente, de Paulo Sacramento (SP). E os documentários A Arte do Renascimento - Uma Cinebiografia de Silvio Tendler, de Noilton Nunes (RJ), Herreros Angola, de Sergio Guerra (BA), Morro dos Prazeres, de Maria Augusta Ramos (RJ), O Mestre e o Divino, de Tiago Campos (PE), Outro Sertão, de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela (ES)e Plano B, de Getsemane Silva (DF).

Além dos longas e curtas em concurso, Brasília prevê uma série de debates e seminários sobre o cinema brasileiro. Essa tradição reflexiva faz parte do evento criado em 1965 por Paulo Emilio Salles Gomes. Entre outros temas, as mesas tratarão da visão que se tem do cinema brasileiro no exterior. Entre os expositores, os ensaístas Randal Johnson (EUA) e Gian Luigi de Rosa (Itália). O atual sucesso das comédias será enfocado no painel A Cultura do Riso no Cinema Nacional, com a cineasta Betse de Paula, diretora de vários títulos do gênero. Na mesma mesa, o historiador e colaborador do Estado, Elias Thomé Saliba, autor do ensaio Raízes do Riso: a representação humorística na história Brasileira. Vai ser instrutivo. E divertido.

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