Brasileiros no padrão Bolshoi de excelência

"O bailarino no Brasil é como o médico clínico geral. As academias dão superficialmente todas as técnicas, a da escola francesa, a Royal (inglesa), a Vaganova (russa). A bailarina brasileira aprende de tudo um pouco mas nada profundamente. Aos 18 anos ela desiste de dançar, porque entra na universidade, namora, casa, não há possibilidade de profissionalização. É triste porque as meninas brasileiras são mais quentes, mais interpretativas. É marvilhoso ver a Ana Botafogo no palco, a Cecília Kerche." Este é o diagóstico que Adriana Martins dos Reis, de 21 anos, faz da dança no Brasil. Ela é aluna da Escola Bolshoi, do Grupo do Centro de Aperfeiçoamento que tem alunas com idade entre 14 e 24 anos de procedência variada, vindas de Brasília, Piauí, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro.Adriana - Nascida em Joinville, Adriana dança desde os 8 anos. Estudou por 12 anos na Casa da Cultura. "Quando o Bolshoi veio para cá fiquei doida e apesar da idade resolvi tentar. Adorei o dia da audição e fiquei muito gratificada por ter sido aprovada. Você tem que estar no padrão do Bolshoi. Não sei se eles avaliaram a parte técnica ou a artística, porque as bailarinas são muito diferentes, umas são mais femininas, outras tem mais perna, mas todas têm elasticidade parecida", então não sei qual foi o critério que eles adotaram, mas não foi a idade", conta.Ela está tão apaixonada que nas férias trabalha como voluntária, fazendo inscrição para os prováveis futuros alunos da escola. O que é bom na escola? "Estudar a história da dança, música, "Os russos escutam música de um jeito diferente".Adriana cursa faculdade de Publicidade e Propaganda. Desde pequena participa do festival da cidade, sempre com dança contemporânea. "Adoro contemporâneo", diz. De 93 a 99 participava com seu grupo Cidade de Joinville, de sete bailarinas, que ganhou o primeiro lugar no ano passado. Todas estão agora estudando na Escola Bolshoi. O que você mais quer na vida? "Ser bailarina clássica". Rachel - Rachel Santana Oliveira tem 17 anos e mora sozinha há quatro meses num apartamento de um quarto perto da Escola Bolshoi. Filha única, nascida no Recife, seus pais são separados e moram em Aracajú, em Sergipe. O pai é diretor-adjunto dos correios de Aracajú e a mãe é formada em Letras, mas é aposentada, e virá morar com a filha em setembro. Os pais separaram-se quando ela tinha 7 anos.Rachel estuda balé clássico desde os 14 anos e quando viu em outubro o anúncio da Escola Bolshoi ficou tentada. Em dezembro pediu ao pai e decidiram que ela viria. Em fevereiro fez o teste, e em março começaram as aulas. O pai veio com ela, organizando tudo.Rachel teve que trocar o colégio particular onde estudava por um estadual em Joinville e se adaptar à solidão (no começo eu chorava muito, mas agora já me acostumei), ao frio e ao estilo de vida, que para ela é o mais difícil de todos. Seu sonho é ser bailarina e dançar Giselle. "Tem a ver com meu estilo, é bem dramática. Adoro peças dramáticas".

Agencia Estado,

26 de julho de 2000 | 22h25

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