Brasileiros documentam o drama de afegãos

Dois brasileiros radicados em Nova York registraram recentemente a dramática situação dos afegãos. A cineasta Iara Lee, dosdocumentários Prazeres Sintéticos e Modulações, visitouos campos de refugiados na fronteira do país e produziu ocurta-metragem Beneath the Borqa. O trabalho foi lançado emeventos multimídia em Nova York e São Francisco, que tiveram aparticipação do carioca André Vieira. No primeiro semestre desteano, ele passou 45 dias fotografando o Afeganistão e está acaminho do país novamente.Radicada em Nova York há mais de dez anos, Lee foi responsávelpor uma série de projetos culturais envolvendo música eletrônicae artes visuais. Sua Caipirinha Productions lançou 40 CDs emcinco anos e seus dois filmes foram aclamados no circuito defestivais em todo o mundo. Desde o ano passado, a cineastaresolveu se dedicar também a causas humanitárias, iniciandopesquisas sobre o trabalho de instituições como a Peace Corps evárias organizações não-governamentais.Durante uma viagem aos campos de refugiados no Paquistão, elateve contato direto com o drama das mulheres do Afeganistão, quevivem em estado de pobreza absoluta, não têm acesso acuidados básicos de saúde ou educação, e ainda são obrigadas a usar aborqa, uma roupa que cobre todo o corpo e o rosto.O resultado da visita foi Beneath the Borqa, um filme de 12minutos que relata a situação por meio de entrevistas comrefugiados. "Eles vêem fotógrafos e cinegrafistas indo até láregistrar a situação e têm a impressão de que ninguém nunca faznada", diz. "Quando volteiaos Estados Unidos pensei; ´será que eu vou ser mais uma que foilá e não vai fazer nada?´" Lee organizou dois eventos beneficentes "para informar mais aspessoas" e passou a programar novos projetos. "É tudo pequeno,muito singelo, mas pelo menos sinto que 300 pessoas de Nova Yorkpassaram a saber mais sobre esse problema até agoraignorado pela comunidade internacional."Um dos eventos teve a participação de Vieira, fotógrafo que moraem Nova York há cinco anos. Ele visitou tanto as áreas ocupadaspelo Taleban quanto as tomadas pelo grupo de oposição da Aliançado Norte - e conviveu bastante com a população local. "O quemais me impressionou foi a hospitalidade dos afegãos", conta.O fotógrafo registrou várias famílias e aprendeu bastante sobreos costumes do país. "Toda família tem de dar um filho homempara o exército do Taleban", diz ele. "Mas, na verdade, muitosmandam outros filhos, porque é o único emprego que existe. Maisuma pessoa em casa significa mais uma boca para comer." Otrabalho de Vieira está sendo publicado na próxima semana pelarevista "Newsweek" que está financiando a nova visita deleao Afeganistão. Nos próximos dias, ele deve chegar até oTadjiquistão, para tentar entrar no país pela área controladapela Aliança do Norte. "Não sei o que vou encontrar por lá, masacho que vai ser horrível."Lee também estava planejando voltar ao local para registrar otrabalho de várias organizações que estão no local, mas, porconta dos atentados terroristas nos Estados Unidos, resolveuesperar "para ver o que acontece". "Acho que nesse momento éimportante tentar fazer os jovens americanos entenderem melhor oque está acontecendo e como a situação chegou neste ponto."Ela pretende organizar uma série de palestras com historiadorese cientistas políticos nas próximas semanas, "para abrir acabeça das pessoas". Lee não descarta a possibilidade de fazerum longa-metragem sobre a situação do país. "Todos os meusprojetos começam pequenos e acabam virando uma outra coisa,então ainda não sei exatamente quais serão os desdobramentosdeste." Informações sobre o trabalho da diretora podem serencontradas no endereço www.caipirinha.com.

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