Brasileiros batem recorde em leilão em NY

Nem os especialistas da Christie´s nem o Banco do Brasil, que era o dono da obra, tinham idéia do preço que um tríptico de Sérgio Camargo (1930-1990) poderia alcançar no leilão de arte latino-americana realizado anteontem à noite em Nova York. Criada em Paris pelo artista brasileiro, por encomenda feita pela instituição financeira em 1968, a peça foi vendida por US$ 450 mil em lance feito por telefone por um comprador anônimo. Somada a comissão da casa de leilões, o valor da venda chega a US$ 501 mil. No catálogo do leilão, o trabalho tinha estimativa máxima de US$ 90 mil. O valor pago por ela surpreendeu as cerca de 300 pessoas presentes ao leilão, que aplaudiram a venda com entusiasmo.O tríptico alcançou o segundo maior preço da noite, ficando atrás apenas do quadro Três Destinos, pintado em 1956 pela mexicana Remédios Varo (1900-1963). Essa pintura foi arrematada por um colecionador americano por US$ 500 mil (US$ 556 mil com a comissão), obtendo o valor mínimo estimado pela casa, que esperava poder vendê-la até por US$ 700 mil.Uma abstração geométrica composta por cilindros de madeira e toda pintada de branco, o tríptico de Camargo ficou instalado por mais de 30 anos na agência que o Banco do Brasil tinha na 5.ª Avenida, em Nova York. Estava ali até poucos meses atrás, quando a agência mudou para um conjunto de salas num edifício do Rockefeller Center.Com cada um dos seus painéis medindo 2,74 metros quadrados, essa é a maior peça do artista já colocada no mercado. "Como obras de grandes dimensões nem sempre são fáceis de vender, porque requerem cuidados extras para transporte, por exemplo, fizemos uma estimativa de preço conservadora", explicou Rodman Primack, especialista em arte latino-americana da Christie´s.Recordes - A obra de Camargo ultrapassou 12 outras que foram estimadas com valor mínimo bem maior do que os US$ 90 mil previstos para ela. O terceiro maior preço do leilão foi pago pelo óleo sobre tela Caçadores de Mariposa, de 1948, do mexicano Rufino Tamayo (1899-1991), para o qual se esperava conseguir até US$ 600 mil e foi vendido por US$ 400 mil (US$ 446 mil com a comissão). O preço pago pela composição do concretista brasileiro estabeleceu um recorde para o artista. O valor mais alto pago por um trabalho dele anteriormente foi de US$ 51.700, registrado há três anos também num leilão da Christie´s. Dos 13 trabalhos de artistas brasileiros oferecidos pela Christie´s, mais dois também bateram recordes para seus criadores - Parangolé de Aqua, de Hélio Oiticica (1937-1980), e Crianças de Açúcar, do fotógrafo Vik Muniz. Já somada a comissão da casa de leilões, o primeiro foi vendido por US$ 82.250 e o outro por US$ 75.200. O valor mais alto pago por uma obra deles era, respectivamente, de US$ 49.600 e US$ 47 mil. Um quadro de Di Cavalcanti (1897-1976) posto à venda por um colecionador de Israel não conseguiu o resultado esperado. Crianças, pintado por volta de 1955, tinha estimativa entre US$ 40 mil e US$ 60 mil, mas foi arrematado por US$ 37.600. Na opinião de Anna Sokoloff, chefe do Departamento de Arte Latino-americana da Christie´s, levando-se em consideração o agravamento da situação econômica nos Estados Unidos depois dos ataques terroristas de setembro, o leilão realizado anteontem foi melhor do que se esperava.Em relação ao leilão anterior, realizado em maio, a Christie´s apresentou menos obras, mas obteve resultado melhor. Há seis meses, foram oferecidos 71 lotes que renderam, no total, US$ 4,2 milhões; anteontem, com dez lotes a menos, as vendas somaram US$ 4,9 milhões.

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