Brasileiro se acostumou com corrupção, diz Caetano Veloso

Famoso por seu engajamento político, cantor afirma que no País impera a preguiça de assumir responsabilidades

12 de setembro de 2007 | 09h08

O cantor e compositor Caetano Veloso criticou a corrupção e o marasmo com os quais o brasileiro já está acostumado. Em entrevista ao Jornal da Globo, na última terça-feira, 11, Caetano falou de seu novo álbum, Multishow Cê ao vivo, e mostrou seu característico engajamento político.  Veja também:Caetano incita seu lado rock’n’roll  "Existe uma preguiça de assumir responsabilidades" no Brasil, afirmou o cantor. "Se você dissemina a idéia de que a gente não vale mesmo, que a gente nunca conseguiu fazer nada e nunca vai conseguir, todo mundo acha que pode roubar, que pode levar uma vida de segunda classe e ninguém se esforça para ser melhor." "Deve-se distanciar da idéia de que o brasileiro não tem razões para se respeitar, de que não há fatos históricos que façam com que a gente pense na nossa formação como uma formação humana importante", afirmou Caetano. Para ele, "a idéia de que o brasileiro é pequeno e de que deve continuar sendo pequeno e de que não vai mudar e vai ser sempre este marasmo e que a corrupção é endêmica e que nunca passará... Isso é o que o brasileiro está acostumado a pensar." Sobre seu disco, Caetano afirmou que "ele me livra um pouco de mim mesmo, para que eu me aproxime mais de quem sou. Isso é uma fórmula que funciona pra gente, pra países, pra tudo. No livro ‘Verdade Tropical’ eu já disse que o Brasil precisava ser o mais diferente de si mesmo para poder se encontrar", ele diz. Na última terça-feira, durante entrevista de lançamento de seu novo disco, no Rio, o compositor manifestou-se sobre a cassação do senador Renan Calheiros. Fazendo um jogo de palavras, Caetano o chamou de "Renan Collor Cardoso Calheiros" e afirmou que senador "tem que ser posto para fora". Além disso, o músico ainda elogiou a decisão do Supremo Tribunal Federal de ter tornado réus os acusados do escândalo do mensalão.

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