Brasileira será a primeira bailarina do Royal Ballet

Pela primeira vez uma brasileira assume o posto de primeira bailarina do Royal Ballet de Londres. A carioca Roberta Marquez, uma das estrelas do Teatro Municipal do Rio, vai integrar o elenco da companhia em setembro. Roberta começou a dançar muito cedo. Ainda menina fazia aulas na Escola Estadual de Danças Maria Olenewa. Lá ela se formou com louvor sob a direção de Maria Luiza Noronha. Em 1994 fez uma audição para dançar no Balé do Teatro Municipal do Rio e em 2002 conquistou o posto de primeira bailarina.A chegada ao Royal começa com Dalal Achcar. Diretora do Municipal, Dalal convidou a diva Natalia Makarova para montar La Bayadère em 2000. "Houve um planejamento. Primeiro Roberta dançou com Makarova, uma oportunidade sem preço. Em 2001, conquistou a Medalha de Prata no 9.º Moscow International Dance Competition, vencendo os russos, quando alcançou outro patamar e, depois, dançou o Lago dos Cisnes, também com Makarova", conta Dalal, a empresária da bailarina.No ano passado, quando Makarova remontou A Bela Adormecida para o Royal Ballet, convidou Roberta para participar de sua produção. "Ela já conhecia o meu trabalho e esse foi o primeiro convite para dançar no exterior", diz Roberta. Em seguida, dançou com a companhia La Bayadère e Gisele e participou de uma turnê do Royal na Rússia - em Moscou e São Petersburgo -, onde dançou nos teatros Bolshoi e Mariinsky os papéis Odete/Odile na versão de Antony Dowell do balé O Lago dos Cisnes. Como bailarina principal convidada, apresentou-se também com o American Ballet Theatre e já tem marcada uma próxima apresentação em maio, no Metropolitan Opera House em Nova York."Com essas apresentações no exterior, as qualidades artísticas de Roberta começaram a aparecer para o público e daí para a assinatura do contrato foi um passo", observa a empresária. Uma cláusula do contrato garante apresentações com companhias de grande porte, como o American Ballet Theatre, e no Brasil. "Esta é uma prova de que quando há investimento, há resultado. Roberta abre o mercado de trabalho para os brasileiros em outros países." Para a jovem, este momento marca a realização de um sonho. "Parece um conto de fadas. De repente estou dançando ao lado de bailarinas que conhecia por vídeos. Acho que não basta ter talento, é preciso ter pelo menos uma chance de mostrá-lo."

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