Brasil vai além de chinelos e biquínis na Semana de Moda de NY

Enquanto Rosa Chá abre nova loja em Nova York, interesse prova que moda brasileira vai bem no exterior

Flávia Guerra, O Estado de S. Paulo

08 de setembro de 2008 | 10h37

Não foi a inspiração no artista plástico Gonçalo Ivo, nem as formas estruturadas e o brilho das pedrarias e acessórios metálicos aplicados nos looks ‘praia glamour’, muito menos os cortes criativos e generosos que Amir Slama criou para o verão Rosa Chá 2009 que surpreenderam no desfile da grife no último sábado na badalada New York Fashion Week. Acostumados a associar a moda brasileira à formula ‘chinelo no pé e biquíni’, a imprensa internacional que acompanha a semana de moda (cujo nome oficial é Mercedes-Benz Fashion Week) se impressionou mesmo com o número de looks ‘passeio completo’ que o estilista trouxe para esta nova coleção. "Você desta vez criou mais vestidos, caftãs, looks ‘inteiros’. Por que? Vai deixar de desenhar biquínis?", perguntou o jornalista da CNN. "Não! A moda brasileira não é só biquíni. É um estilo de vida. Vai muito além da areia", respondia Slama. Além mesmo foi a Rosa Chá. A partir de agora a grife não será mais vendida somente em lojas multimarcas pela cidade. Após o desfile no Bryant Park (quem não sabe onde é a meca da moda nova-iorquina durante a NYFW, lembre-se da cena em que Carrie Bradshaw, no filme Sex and the City, volta a sorrir depois de uma fase tristonha quando vai conferir os desfiles da NYFW) Slama e cia. migraram para o badalado Soho para a inauguração da primeira loja da grife na cidade.  Criada pelo arquiteto Graig Bradshaw, o projeto buscou inspiração nas igrejas barrocas brasileiras para criar uma atmosfera de sofisticação dos trópicos. A praia glamourosa, mas não esnobe, da Rosa Chá, encontrou seu lugar ao Sol em plena Manhattan. É interessante se deparar com uma vitrine leve e sofisticada em um prédio de tijolinhos e escadas de incêndio expostas tipicamente nova-iorquino.  Em termos de mercado e investimento, o que a conquista representa? O valor de fato investido é de US$ 500 mil para a abertura da ‘loja conceito’ (espécie de centro nervoso, que funciona como referência para as clientes e para compradores). "Já temos lojas em Miami, que vai fechar e reabrir com um outro conceito, e na Turquia. Agora, com o capital investido pela Marisol (que detém a marca Rosa Chá há alguns anos) e pela Cotia, Nova York ganha esta primeira loja exatamente como queremos trabalhar a grife no exterior", conta Slama.  É bom lembrar que, segundo as ações, e os números, divulgados pela Abest (Associação Brasileira de Estilistas) e pela Apex (Agência Nacional de Exportação), as exportações da moda brasileiras passaram de US$ 600 mil em 2003 para US$ 13 milhões em 2007. E este valor tende a dobrar este ano.  O valor simbólico disso tudo? É o atestado de que a moda brasileira vai bem, obrigado! E o tal ‘estilo de vida’ de que Slama fala parece estar de vez invadindo as praias fashion mundo afora. Patriotismo e o chavão ‘a parte, a moda nacional tem ganhado de fato espaço substancioso não só nas araras mas no imaginário fashion internacional. Para comprovar basta citar que o Independent (um dos mais prestigiados jornais britânicos) dedicou hÁ duas semanas um editorial de duas páginas para a moda brasileira. As palavras-chave? "O Brasil não é mais só sinônimo de chinelos descolados e biquínis. Os estilistas brasileiros são criativos, têm estilo, qualidade e um raro frescor."  E o mundo fashion está ávido por este frescor. Além da Rosa Chá, Alexandre Herchcovitch desfilou ontem a coleção feminina 2009, a Iódice desfila na terça e Carlos Miele, que não desfila mais no Brasil, encerra na quarta a agenda de desfiles brasileiros em Nova York. Para um mundo competitivo e superestimulado com o da moda, quarto grifes no line-up oficial é um feito e tanto. Sem contar Francisco Costa assinando para a Calvin Klein e os eventos paralelos, como a ação que o Shopping Iguatemi promove na cidade durante a semana, ‘convocando’ grifes a ‘adotarem’ o shopping como ‘sua casa’ no Brasil.  No mais, vencer pequenas-grandes barreiras ainda está na agenda dos criadores de moda brasileiros. Afinal, ainda é preciso explicar para jornalistas internacionais que Rosa Chá não é nome de homem e que Alexandre Herchcovitch não faz moda praia.  A repórter viajou a convite da grife Rosa Chá.

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