Brasil Telecom destina 12,7 mi para projetos culturais

O ator Paulo Autran já contou os principais aspectos de sua consagrada carreira ao jornalista Alberto Guzik, crítico teatral do Jornal da Tarde, que serviu de material para o livro Um Homem no Palco (Boitempo, 1998). Faltava uma rigorosa reconstituição fotográfica. A lacuna deverá ser preenchida a partir de novembro, com a coleção Bastidores, da editora Letras e Expressões, que vai apresentar, em cada volume, uma seleção de imagens que compreenda todas as principais fases da carreira do artista. No primeiro volume, além de Autran, estará a atriz Nathália Timberg. No segundo, os escolhidos são Paulo Gracindo e Nicete Bruno."Uma equipe de pesquisadores visita o ator selecionado e consulta sua coleção de fotos, escolhendo as mais significativas; também é feita uma busca de imagens em arquivos de jornais e revistas", explica Natalice Mundim, gerente de projetos culturais da Brasil Telecom, empresa de telecomunicações que incluiu a coleção entre seus patrocínios culturais para este ano. "Depois de feita a triagem, as fotos escolhidas vão compor o livro."Controladora de dez operadoras nas regiões Norte, Centro e Sul, a Brasil Telecom decidiu dobrar a verba destinada a patrocínios culturais, que contempla desde nomes consagrados nacionalmente até artistas regionais que buscam espaço para apresentar seu trabalho. No total, a companhia vai investir R$ 12,7 milhões em 90 projetos de teatro, dança, cinema e artes plásticas. Do total da verba, cerca de R$ 4,5 milhões são de recursos próprios - o restante tem como origem benefícios fiscais oferecidos pela legislação. A Brasil Telecom tem como sócios a Telecom Itália e o Opportunity.Entre os principais investimentos da empresa, está a turnê do Grupo Corpo. Em agosto, a tradicional companhia de dança iniciou a comemoração de seus 25 anos com espetáculos em São Paulo. Em seguida, viajaram para o Rio, Brasília, Belo Horizonte e Alemanha. Retomam as atividades em novembro passando por Porto Alegre e Curitiba. Em dezembro, o Grupo retorna à Europa para dançar no Théâtre des Champs Elysées, em Paris. "Procuramos sempre promover também workshops com artistas locais", conta Natalice, lembrando do grande aproveitamento de um dos eventos, o Encontro com Fernanda, em que o público não apenas acompanhou a exposição sobre os 50 anos de carreira de Fernanda Montenegro como conversou com a atriz. "Viajamos para diversas capitais, como Campo Grande, Palmas e Cuiabá, onde o interesse foi tremendo."O teatro é um dos principais alvos dos investimentos: além de financiar grandes produções que iniciaram temporada nacional no Rio, como Ai, Ai, Brasil, de Sérgio Britto, e Amigo Oculto, de Augusto Boal, o marketing cultural da empresa privilegiou a divulgação de criações locais, como a peça Drácula, desenvolvida por um grupo do Mato Grosso do Sul que já se apresentou no Rio. "Proporcionamos condições para que companhias diversas se apresentem além de sua cidade de origem" comenta Natalice.Visuais - Em cinema e televisão, a Brasil Telecom participou de produções variadas, como no filme Oriundi, do diretor Ricardo Bravo, que contou com a participação do ator Anthony Quinn e já estreou em diversas capitais. Colabora também na produção do novo filme de Walter Salles, Abril Despedaçado (título provisório), e no documentário que Sylvio Tendler prepara sobre Gláuber Rocha. Na televisão, a empresa investiu na série de documentários 6 Histórias Brasileiras, em que seis jornalistas convidados analisam vários aspectos do País.Nas artes visuais, também os projetos culturais são diversos. A série de casulos, esculturas de Siron Franco, por exemplo, excursionou pelo Brasil e viajou para Inglaterra com parte dos recursos financiados pela Brasil Telecom. "Temos ainda um projeto em que compramos croquis das obras de Oscar Niemeyer, que são repassados para alunos de escolas da rede pública; é uma oportunidade de divulgar o trabalho de um dos nossos principais arquitetos", explica Natalice.A empresa financia também uma escola musical especializada em chorinho, que já está em funcionamento, em Brasília. "Foi uma surpresa o grande número de pessoas interessadas." Na mesma linha educacional, participou da doação de bolsas para que dançarinos brasileiros participassem dos workshops ministrados pelo grupo de bailarinos do Bolshoi, em Joinville.O processo de escolha dos projetos culturais começa, anualmente, em março, quando são abertas inscrições para todo tipo de manifestação cultural. A seleção é feita normalmente em abril. "Neste ano, recebemos mais de 60 mil projetos", conta Natalice, garantindo o apoio da classe artística. "Sempre consultamos os profissionais especializados de cada área a fim de promover uma seleção mais criteriosa."

Agencia Estado,

14 de setembro de 2000 | 16h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.