Brasil revê 500 anos de design

Com a sobreposição de estilos, de materiais, do antigo com o moderno, a fundação Objeto Brasil propõe, a partir desta terça-feira na exposição 500 Anos de Design, no prédio da Pinacoteca do Estado, uma análise do que é realmente o traço que marca a criatividade, as influências e principalmente as tendências brasileiras. Em vários momentos é visível a discussão entre o artesanato e o designer, mas sem uma rígida linha do tempo para guiar o visitante. O fio condutor, segundo a curadora Joice Joppert Leal, é a contemporaneidade, ligada a uma discussão que pretende valorizar e divulgar a "marca Brasil". "Não é um coisa acadêmica, iconográfica. É mais do que isso. É valorizar aquilo que nos fazemos e o futuro", disse ela. O evento marca também o fim das comemorações dos 500 anos do descobrimento do País. Dividido em cinco módulos: Cozinha Tem História, Indumentária, Panorama do Design Nacional, Artes e Ofícios e EcoDesign, todas as cerca de 600 peças têm em comum o objetivo de serem funcionais, por mais arcaicas, esquisitas ou originais que pareçam. Essa impressão será encontrada principalmente nas peças de carro feitas com casca de coco, nas lamparinas feitas de latão, usadas até hoje, e em outros objetos distribuídos no primeiro andar do prédio e também em 22 contêineres acomodados no Parque da Luz, contíguo à Pinacoteca do Estado. No entanto, essa parte da exposição só estará aberta a partir das 15 horas do dia 16. Leia também: A exposição 500 Anos de Design promete trazer peculiaridades do resultado das culturas indígena, européia, africana, japonesas, em fim, do mundo todo. A mostra poderá ganhar por originalidade, mas ficará na média no quesito organização. Até o começo da tarde de segunda-feira, nem 20% das peças estavam acomodadas em seus devidos lugares, impossibilitando uma visita prévia realizada na maioria dos eventos. O curador da parte de eco-design, Marcelo Susuki, "jurou"que tudo estará pronto até as 19 horas de terça-feira Uma outra proposta, segundo Joice, é mostrar a "nossa cultura material e o nosso saber fazer". Como a discussão norteia o avanço das técnicas e o aumento de designers no mercado de trabalho, ela e uma equipe de profissionais viram a necessidade de ir além do ato de organizar exposições e partiram para um projeto a longo prazo. Em meados de 2002 está prevista a inauguração do Centro do Designer. A sede será na Casa Modernista e contará com cursos, exposições, acervo e principalmente esclarecimentos dos direitos e deveres do inventor e dos técnicos, que trabalham na criação. Segundo ela, só com a instituição "teremos posse dos nossos neurônios". A fundação Objeto Brasil, projeto institucional do Instituto Uniemp, foi criada há quatro anos. "Com o correr do tempo o Design foi se sofisticando, especialmente depois do início da industrialização do País. Nos esforços feitos para se criar a consciência da importância do Design na vida brasileira, o primeiro preconceito que se teve de enfrentar foi o de que ele era visto como frivolidade estética", sintetizou José Mindlin, um dos membros do Conselho Executivo do Objeto Brasil, na abertura do catálogo. Esse pré-conceito, de certa forma, já começou a ser desmistificado com a dedicação das indústrias no design de produtos e serviços e até na internet.500 Anos de Design terá a participação de artistas e artesões de praticamente todos o Brasil. Alguns desses Estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro, participam do roteiro de itinerância previsto para começar em meados de março. No exterior, a curadora já confirmou uma síntese da mostra para exposição em Milão, na Itália. A exposição completa será vista somente em São Paulo, até dia 25 de janeiro.Objeto Brasil ? Design nos 500 Anos - Pinacoteca do Estado - Praça da Luz, 02. Fone: (11) 229-9844. De terça a domingo, das 10h às 18h. Ingressos: R$ 5,00 (gratuito para menores de 7 anos, maiores de 65, e às quintas-feiras. Até 25 de janeiro. Parque da Luz - Praça da Luz. A partir do dia 16. às 15 horas.

Agencia Estado,

11 de dezembro de 2000 | 21h24

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