Brasil: prazo de 4 anos

Enquanto Rodelinda ia ao ar, Fabio Lima recebia reclamações de espectadores por conta de cancelamentos de sessões em cidades como Santos. Por quê? "Porque a grande maioria dos cinemas e multiplex do Brasil têm só um projetor digital e, em geral, direcionado para o 3D. Quando entra um blockbuster no formato, a sala fica 'reservada'", diz o exibidor, que ressalta a importância do fator financeiro para a digitalização das salas nacionais.

O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2011 | 03h08

"No exterior, o modelo que funcionou é o VPF (Virtual Print Fee). Além disso, os estúdios de Hollywood criaram s o DCI (Digital Cinema Iniative), o padrão de formato de resolução 2K e 4K, que têm de ser adotados pelo mercado para a conversão da tecnologia. Foi também definido um modelo de financiamento de longo prazo que acelera a conversão."

Há acordo firmado entre os grandes estúdios e os donos de cinema dos EUA e Europa, o VPF. "É um acordo entre distribuidores e exibidores, intermediado por um integrador, responsável pela gestão técnica e financeira da digitalização. O objetivo é gerenciar a verba recebida futura, paga pelos distribuidores em forma de VPF, e usar esses acordos para financiar em grande escala a compra de projetores digitais", continua Lima. "Os distribuidores economizam porque não precisam mais fazer cópias em 35 mm a longo prazo."

Este modelo será aplicado no Brasil, mas há um porém. "Aqui, por conta dos impostos, que chegam em torno de 80%, tudo é mais caro. Como o VPF é negociado em dólar e não cobre gastos com impostos de importação, isso afastou o País de um acordo a longo prazo. Temos quatro anos para digitalizar mais de 2 mil salas."

Para agilizar o processo, o governo publicou em setembro a medida provisória número 545/2011, que institui o Programa Cinema Perto de Você, dirigida à expansão, modernização e descentralização do parque exibidor brasileiro. "No entanto, a medida precisa ser votada até março para que tudo ocorra dentro do prazo."

Segundo a Ancine, ainda não há um relator para assumir a questão. "Precisamos agilizar esse processo urgentemente. Não é só questão de interesse comercial. É muito mais complexo. É capaz de acabarmos tendo salas e nenhum filme para mostrar." / F.G.

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