Brasil é homenageado na Feira de Arte Contemporânea de Madri

Arco 2008 reúne 295 galerias; Moacir dos Anjos, curador da feira, diz querer mostrar a pluralidade brasileira

Anelise Infante, da BBC,

13 Fevereiro 2008 | 13h40

A Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madri (Arco), uma das maiores feiras de arte contemporânea do mundo, inaugura nesta quarta-feira, 13, sua 27.ª edição, tendo o Brasil como convidado de honra, com obras de 32 galerias. Este ano, a Feira conta com a participação de 295 galerias internacionais e a expectativa é superar o recorde do ano passado de 200 mil visitantes.  Veja também: Em Madri, Gilberto Gil diz que Brasil é 'uma potência doce'"Esperamos que tenha muito sucesso, entre outras coisas graças ao Brasil, um país emergente com uma criatividade à flor da pele e capaz de atrair colecionadores e representantes de museus", disse a diretora da Arco, Lourdes Fernández. O Brasil participará com 32 galerias e 128 artistas com pinturas, esculturas, fotografias, instalações e perfomances - que são a novidade desta edição, com um pavilhão próprio, o Performing Arco. A homenagem acontecerá também em outros espaços culturais da cidade, com programas de exposições e ciclos de filmes e shows brasileiros. A maior parte dos eventos será realizada no Museu de Arte Contemporânea Rainha Sofia. Pluralidade O curador convidado da Arco 2008, o brasileiro Moacir dos Anjos (um dos responsáveis por escolher o conteúdo do Brasil para a feira) disse que o objetivo é mostrar a arte da realidade das ruas. "Não quisemos mostrar uma idéia folclórica, nem usar os velhos clichês: as cores, a alegria ou a sensualidade." "O nosso país é frágil, é violento, com desigualdades enormes, onde as coisas estão ainda meio por fazer. É isso o que aparece na arte. É a realidade do dia-a-dia das nossas ruas", afirmou. A seleção das 32 galerias que representam o Brasil na Arco provocou polêmica entre os expositores brasileiros. A galerista paulista Marcia Fortes, da Galeria Fortes Vilaça, que foi selecionada neste ano e já participou de outras edições da feira, afirma que "o critério é discutível porque no Brasil não há mais de 20 galerias realmente professionais". O curador Moacir dos Anjos respondeu que a seleção teve o aval do Ministério de Cultura (do Brasil) e foi feita por padrões de "diversidade geográfica, etária e de estilos porque queremos levar a pluralidade da arte brasileira a Madri". A galeria Leme, de São Paulo, é uma das que se apresentam como alternativas. O ateliê da galeria também serve de abrigo a artistas de outras cidades. Eles dormem, comem e trabalham no mesmo espaço. Na galeria, que fica em frente, têm suas peças exportas e vendidas. "Minha galeria é uma extensão da minha casa. Só coleciono artistas que conheço e quando vou às feiras, eles vêm comigo", disse o galerista Eduardo Leme. A Arco 2008 terá obras de 34 países que incluem trabalhos de artistas consagrados como Picasso, Dali e Miró, mas também jovens talentos desconhecidos dos cinco continentes. A Feira permanecerá aberta até o próximo dia 18. Entre as novidades desta edição haverá projetos únicos, elaborados exclusivamente para a feira, de artistas do Reino Unido, França, Canadá, Turquia, Japão, México, Costa Rica, Finlândia, Estados Unidos, Espanha e Brasil.

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