Brasil é destaque na Bienal de Veneza

O País deve comparecer com grande estardalhaço às festividades que ocorrem em torno da Bienal. Além dos dois representantes nacionais, Ernesto Neto e Vik Muniz que exibirão obras não apenas no Pavilhão do Brasil, mas também no Palazzo Fortuny, alugado com este intuito, o curador convidado para cuidar da representação brasileira, o italiano Germano Celant, ainda está abrindo espaço para dois outros artistas renomados. Miguel Rio Branco e Tunga terão obras sendo mostradas com destaque na sede veneziana do Guggenheim. Rio Branco estará com um enorme painel fotográfico na frente do Peggy Guggenheim, que poderá ser admirado por todos que passam pelo Grande Canal de Veneza, e Tunga terá uma escultura sua instalada definitivamente no jardim do museu.É comum todos os países participantes realizem cerimônias de abertura de suas exposições, buscando atrair não apenas a atenção do público - que pode visitar a feira até o mês de novembro - mas principalmente dos milhares de curadores, críticos, colecionadores e jornalistas que costumam acorrer à Veneza a cada dois anos. A expectativa para este ano é que entre 3 mil e 5 mil "formadores de opinião" compareçam ao evento.Mas, no caso brasileiro, está sendo dada uma grande importância às festividades, com o intuito de, junto com os canapés e drinks, passar uma imagem favorável do País. Desde o início esse foi o intuito da Associação Brasil+500, que agora adota o nome de BrasilConnects, exatamente dentro dessa estratégia de impulsionar a ação internacional da fundação dirigida por Edemar Cid Ferreira.Criada inicialmente como um braço da Fundação Bienal para realizar um evento em comemoração aos 500 anos do descobrimento, a instituição foi pouco a pouco mudando de cara, conquistando espaços em São Paulo (atualmente ela controla o Pavilhão Manoel da Nóbrega e a Oca, ambos no Parque do Ibirapuera), ampliando suas atividades para além das fronteiras nacionais, isso apesar de uma imagem muitas vezes comprometida por escândalos como o não pagamento de fornecedores.Uma das primeiras medidas tomadas pela Associação para lançar o Brasil em Veneza foi convidar um curador conhecido por todos, com entradas em todos os lugares. Além de ser da comissão de curadoria do Guggenheim. Celant foi o curador geral da Bienal de Veneza de 1997.Aqueles que criticaram a escolha de Celant parecem ter acertado. O curador estrangeiro não surpreendeu ninguém com suas escolhas, preferindo apostar nos valores seguros em vez de ousar levar novidades ou algum nome importante da arte nacional que ainda não tenha recebido o merecido destaque no exterior. Ernesto Neto e Vik Muniz têm uma presença forte e bem-sucedida no cenário internacional. Ele próprio argumenta que um evento importante como a Bienal de Veneza não é lugar de experimentações, mas sim uma vitrine que deve ser explorada para divulgar valores seguros e, porque não, tentar obter para o Brasil o prêmio da 49.ª edição. O nome dos premiados deste ano deve ser divulgado na noite de sábado, quando ocorre a grande abertura para convidados. "Desta maneira, o impacto mundial da arte brasileira será imponente, isto é, ao mesmo nível das potentes representações européias e americanas", alegou Celant em entrevista recente.Vernissages - Aliás, festas e vernissages é algo que não faltará em Veneza na próxima semana. Cada país ou instituição cultural realiza sua própria abertura solene. Apenas para quarta-feira (06), estão programadas - segundo um site especializado - 11 vernissages, de nações tão diferentes quanto Canadá, Ucrânia, Bélgica ou Japão. E o Brasil não fica atrás. A primeira das "cerimônias" nacionais será a inauguração das mostras no Palazzo Fortuny, que ocorre na quarta-feira(06), a partir das 18h30, com um pequeno coquetel. Neste local poderão ser vistos não apenas obras de Muniz e Neto, como também exposições dedicadas à Carmem Miranda, o ícone mais americanizado do País, e outra sobre o carnaval carioca, uma das poucas coisas brasileiras - além do futebol - com a qual o público médio estrangeiro já está familiarizado.As festividades nacionais continuam no dia seguinte. Quinta-feira é dia da célebre recepção no Museu Peggy Guggenheim que, este ano, ocorrerá sob os auspícios da parceria entre a instituição e a BrasilConnects. Segundo o diretor da fundação brasileira, durante essa festa será anunciada oficialmente a realização da exposição Body and Soul, uma ampla visão da arte nacional que será aberta em setembro na sede nova-iorquina do museu. Algumas horas depois, às 20h30, tem início a festa brasileira propriamente dita: um jantar para 500 convidados no Palazzo Ca´Zenobio.Do ponto de vista histórico, o Brasil estará representado por uma seleção de imagens de santos negros barrocos, realizadas entre os séculos 17 e 18 - algumas delas já mostradas na Mostra do Redescobrimento em São Paulo. A curadoria da exposição também é de Celant e as peças ocuparão a Igreja de San Giacomo dall´Orio, fundada no século 9.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.