Brasil é destaque de mostra histórica em NY

A mostra No Porto de Pernambuco, a Porta para Nova York, foi inaugurada ontem no Centro de História Judaica de Nova York, com uma centena de peças, entre painéis fotográficos, mapas, vídeos e artefatos arqueológicos, a exposição reproduz a vida cotidiana da primeira colônia judaica nas Américas, fixada na região de Olinda e Recife durante a invasão holandesa do século 17.Idealizada e promovida pelo Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco, a mostra também narra a história da fuga, em 1654, de 23 judeus do porto do Recife com destino a Nova Amsterdã, hoje a cidade de Nova York.O grupo de judeus, que incluía oito casais, além de crianças e idosos, resolveu deixar o Brasil depois da expulsão dos holandeses pela Coroa Portuguesa.Sentindo-se ameaçados pela perseguição religiosa decretada pelo tribunal da Inquisição, os judeus que partiram para os Estados Unidos viriam a fundar a primeira colônia judaica na América do Norte. Esse período histórico foi revelado pelas escavações realizadas há seis anos na sinagoga Kahal Zur Israel, no Recife. Entre as peças encontradas no local, e agora exibidas em Nova York, encontram-se fragmentos de louça com emblemas judaicos, tijolos holandeses e ferramentas utilizadas nos engenhos de cana de açúcar da época."A mostra funciona como uma história através do olhar, empreendendo um diálogo entre imagens e texto", diz a antropóloga Tânia Kaufman, diretora do Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco e curadora da exposição.Narrada cronologicamente, a exposição começa com o primeiro desembarque de judeus sefarditas (originários da Península Ibérica) no Brasil, já no século 16. Expulsos da Europa e do norte da África em função da perseguição religiosa movida pela Igreja, esses primeiros colonos judeus, forçados a se converter ao catolicismo, eram chamados de "cristãos novos". Mas, assim como os demais judeus que viriam a se estabelecer no Brasil nos séculos seguintes, os primeiros colonos continuavam a professar a fé judaica secretamente. Para a curadora Tânia Kauffman, a mostra funciona como uma história através do olhar Numa segunda fase, a mostra enfoca a invasão holandesa ao Nordeste brasileiro e o momento de florescimento cultural e liberdade religiosa experimentado pelos judeus durante os sete anos do governo de Maurício de Nassau."O período de Nassau é um marco nessa história porque estabeleceu os marcos daquilo que hoje entendemos por cidadania", diz Tânia Kaufmann."Ele libera a prática de qualquer religião e de qualquer etnia. Ele consolida a convivência dentro da diversidade cultural." A mostra termina reproduzindo a fuga de navio dos 23 judeus para Nova Amsterdã, então um modesto entreposto comercial holandês. Em Nova Amsterdã, eles fundaram a congregação Shearith Israel, os Remanescentes de Israel. Ainda hoje, a congregação mantém viva a memória judaica na Europa e nas Américas.

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