Brasil e Cuba dividem a noite no Cine Ceará

Querô e La Edad de la Peseta deram prosseguimento à mostra competitiva

Agencia Estado

07 de junho de 2012 | 03h38

Querô, pelo Brasil, e La Edad de laPeseta, por Cuba, deram prosseguimento à mostra competitiva doCine Ceará. Querô foi muito bem recebido pela platéia do CineSão Luís, o que era de se esperar, por sua contundência ecarisma do personagem-título, interpretado por MaxwellNascimento. Peseta foi prejudicado pelo horário da exibição,pois foi o segundo filme apresentado. Isso sempre acontece comos festivais que insistem nas sessões duplas noturnas - um dosconcorrentes leva a pior e é exibido com sala pela metade, oumenos. Querô não é propriamente um filme inédito no circuitodos festivais. Concorreu em Brasília no ano passado e acabou devencer o Festival de Cuiabá. A maior parte da crítica já conhecesua força e algumas de suas fraquezas. Entre estas, destacam-seos monólogos do personagem, maldizendo sua sorte, e que, porparadoxo, atenuam o vigor da situação exposta. Entre as muitasvirtudes, um sentido de câmera precisa, próxima aos intérpretes,colocando a linguagem do filme na corporalidade mesma dahistória escrita por Plínio Marcos. La Edad de la Peseta tem esse título misterioso,tirado da expressão cubana que define a idade entre 7 e 11 anos,como "a mais chata". Quem está na idade da peseta é o garotoSamuel (Ivan Carreira), filho de mãe separada, que vive namoralista Cuba do final dos anos 1950. Os rebeldes já seinstalaram na Sierra Maestra, Batista balança no poder, e Samuelvai viver na casa da avó, uma fotógrafa interpretada pelaespanhola Mercedes Sampietro. O tom histórico é dado por imagens documentais de FidelCastro discursando, no início do filme, e dos rebeldes, jávitoriosos, entrando em Havana, em 1960. Mas os solavancos dahistória cubana servem apenas de pano de fundo para um filmecentrado nas dores e alegrias do crescimento, com suasinseguranças, a descoberta da sexualidade e outras tantas liçõesque se aprendem (ou não) na pré-puberdade. A ambientação éromântica, há música em excesso e fotografia em tons dourados.Boa direção de arte para um filme de época, mas todas essasqualidades são insuficientes para fazer de La Edad de laPeseta um trabalho de fato marcante.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.