Brasil e Argentina lançam projeto do Canal Mercosul

Coordenador de Cinema e Vídeo da Rede de Agentes Culturais do Rio de Janeiro, Alexei Waichenberg permitiu-se uma licença poética no encontro realizado nesta terça-feira para lançar o projeto do Canal Mercosul. Disse que o sonho que se sonha só é só um sonho, mas o sonho que se sonha junto vira realidade. O sonho é a criação desse importante canal para veicular a produção audiovisual dos países do Mercosul.Inicialmente, é uma iniciativa do Brasil, mais exatamente de produtores do Rio (leia-se Luiz Carlos Barreto) e da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), e do governo da Argentina, representado na comissão que trata do assunto pelo produtor Raúl Giusto.O projeto envolve a criação de uma empresa de sociedade civil, provavelmente sem fins lucrativos, no Brasil e outra na Argentina. Resolvidos os problemas legais, elas poderão formar uma empresa binacional para intercâmbio de programas via satélite. Filmes, shows, esportes, noticiário, a grade de programação contempla tudo.É um investimento pequeno, quase insignificante - R$ 12 milhões -, considerando-se que somente o setor cinematográfico do Cone Sul movimenta US$ 11 bilhões por ano. Da iniciativa brasileiro-argentina poderá surgir o embrião de uma grande TV continental.A idéia, segundo o secretário estadual de Cultura do Rio Adriano de Aquino, que participa ativamente do projeto, é que os países do continente não podem continuar sendo meros consumidores da produção estrangeira. "Ou criamos agora uma política de fomento ao setor no Cone Sul ou teremos problemas sérios nos próximos dez anos".Barreto, o grande cacique do cinema brasileiro, sonha com o dia em que a produção brasileira, os clássicos de Gláuber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e outros diretores, circularão livremente na TV argentina. Pode-se sonhar também com o dia em que os filmes do argentino Leopoldo Torre Nilsson cheguem ao País. Uma assembléia, convocada para dentro de 20 dias, deverá formalizar a criação do Canal Mercosul.Até o fim do ano, Waichenberg espera que ele esteja no ar. Como rescaldo da colaboração entre os dois países, a produtora Gláucia Camargo, que integra a comissão deliberativa, anuncia que estão em andamento negociações para promover um grande ciclo do cinema brasileiro na Argentina e outro do cinema argentino no Brasil. Gustavo Dahl, presidente do 3.º Congresso Brasileiro de Cinema, presente ao encontro, disse que a criação do Canal Mercosul atende a uma das reivindicações do congresso, que é a criação de mercados para a produção audiovisual do País.

Agencia Estado,

05 de julho de 2000 | 17h21

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