Brasil, Chile e histórias da ditadura

Gracie

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h08

15H35 NA GLOBO

(Gracie). EUA, 2007. Direção de Davis Guggenheim, com Dermot Mulroney, Elisabeth Shue, John Doman, Andrew Shue, Carly Schoroeder.

Única garota numa família de machos obcecados por futebol, Grace desestrutura-se quando o irmão craque - e seu protetor - morre num acidente. Ela, então, inicia um movimento em prol das mulheres no esporte. Existem atrizes perseguidas pelo que os franceses chamam de 'mauvaise étoile'. A má estrela - a sina - tem impedido Elisabeth Shue de obter pleno reconhecimento para o seu imenso talento e a sua grande beleza. Reprise, colorido, 95 min.

Tony Manero

22 H NA CULTURA

Chile, 2007. Direção de Pablo Larraín, com Alfredo Castro, Amparo Noguera, Héctor Morales.

Os filmes do chileno Larraín, com seu ator fetiche Alfredo Castro, tem feito história no cinema chileno. Como este que passa hoje no horário da Mostra, sobre homem obcecado pelo personagem de John Travolta em Embalos de Sábado à Noite e que faz de tudo para vencer concurso de imitadores do astro dançante. Mais do que um retrato da alienação política no Chile de Pinochet, o autor perturba ao criar um anti-herói cujo lado psicopático começa a aflorar, no clima de brutalidade reinante. Reprise, colorido, 97 min.

À Queima-Roupa - Abuso de Confiança

23 H NA REDE BRASIL

(Family of Cops). EUA, 1995. Direção de Ted Kotcheff, com Charles Bronson, Leslie-Anne Down, Daniel Baldwin, Angela Featherstone.

Charles Bronson faz patriarca de uma família de policiais, que se empenha para provar a inocência da filha, envolvida num caso de assassinato. Bronson, como Lee Marvin, foi um grande coadjuvante e a diferença é que o outro trabalhou com diretores melhores em sua fase de astro. O cara de pedra ligou-se a J. Lee Thompson e Michael Winner e afundou sua reputação na série Desejo de Matar. Afundou é modo de dizer, pois do ponto de vista do público ele foi, até o fim, um sucesso. O cartaz da Rede Brasil merece revisão. Kotcheff tem bons filmes críticos no currículo, como Pelos Caminhos do Inferno, sobre a matança de cangurus na Austrália, e o primeiro Rambo, Programado para Matar, que trata das consequências da Guerra do Vietnã na vida norte-americana. Vale destacar que o título brasileiro pode confundir o espectador brasileiro, levando-o a crer que se trata do clássico de John Boorman com, olhem só, o grande Marvin, em sua melhor fase. Reprise, colorido, 89 min.

Quase Virgem

0 H NA RECORD

(The Long Weekend). EUA, 2005.

Direção de Pat Holden, com Brendan Fehr, Chris Klein, Chandra West.

Dois irmãos de temperamentos opostos - um farrista e mulherengo, o outro, workaholic. O conflito explode nesse longo fim de semana em que o primeiro tenta arrastar o outro para seu estilo de vida. Inédito, colorido, 85 min.

Mulher Nota 1000

4H10 NA REDE BRASIL

(Weird Science). EUA, 1985. Direção

de John Hughes, com Anthony

Michael Hall, Ilan Mitchell-Smith,

Kelly LeBrock, Bill Paxton.

Comédia dos primórdios da era dos computadores, sobre dois adolescentes que criam, com a ajuda da máquina, a mulher ideal. O problema é que ela adquire vida e a confusão está formada na vida de ambos. Kelly LeBrock era um assombro. O excesso de botox e de peso a levaram muito longe da mulher nota 1000 (ou da Dama de Vermelho, outro grande papel). Reprise, colorido, 94 min.

TV Paga

O Que É Isso, Companheiro?

19 H NO CANAL BRASIL

Brasil, 1997. Direção de Bruno Barreto, com Pedro Cardoso, Alan Arkin, Fernanda Torres, Selton Mello, Cláudia Abreu, Luiz Fernando Guimarães.

Bruno Barreto seguiu a trilha do irmão Fábio (O Quatrilho) e foi finalista para o Oscar de filme estrangeiro, numa das vezes em que o cinema brasileiro 'quase' chegou lá. Adaptado do livro de Fernando Gabeira que evoca o sequestro do embaixador Charles Elbrick, durante a ditadura militar, o filme está longe de ser uma unanimidade e, na época, provocou polêmica por seu retrato da guerrilha. Um aspecto igualmente polêmico, mas interessante, passou despercebido - a rede de alcaguetagem que referendava a repressão. Fernanda Montenegro, num pequeno papel, faz a informante. A personagem, apesar das diferenças, de alguma forma antecipa a idosa de Do Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein. Reprise, colorido, 105 min.

Fantasmas da Guerra

22 H NO TCM

(In Country). EUA,1989. Direção de Norman Jewison, com Bruce Willis, Emily Lloyd, Joan Allen, Kevin Anderson, Judith Ivey.

O título brasileiro pode confundir o público a pensar que se trata de Pecados de Guerra, de Brian De Palma, sobre a Guerra do Vietnã. Em ambos, o tema é a má consciência da 'América'. Bruce Willis faz o veterano que segue, relutante, a sobrinha, quando Emily Lloyd tenta descobrir o que ocorreu com o pai dela no Sudeste Asiático. O diretor Jewison tem filmes importantes, sobre temas fortes, no currículo, mas efeitos visuais gratuitos volta e meia expõem suas limitações, como assinala Jean Tulard no Dicionário de Cinema. O desfecho no Memorial dos Veteranos, em Washington, é, de qualquer maneira, belíssimo. Reprise, colorido, 120 min.

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