Brasil 500 Anos tem 24h para depositar R$ 212 mil

A Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, responsável pela Mostra do Redescobrimento - Brasil+500 Anos, tem prazo de 24 horas para depositar em juízo a quantia de R$ 212 mil, sob pena de busca e apreensão de sofisticado sistema de iluminação cênica.O prazo foi dado hoje pelo juiz da 12.ª Vara Cível da capital, Paulo Alcides Amaral Salles, e o dinheiro será revertido à Stage Production Resources S/C Ltda., responsável pela instalação, operação e manutenção do sistema.Em ação contra a associação, a empresa alega ter mais de R$ 71 mil a receber da organização da mostra, além de estar sendo impedida pelos organizadores da exposição - encerrada domingo no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera - de retirar os equipamentos que lhe pertencem.O advogado da associação, Luciano Lamano, disse que faria o depósito nesta sexta-feira, mas deveria recorrer da decisão, porque considera abusivo o valor definido pela empresa para o pagamento dos serviços. Segundo ele, a empresa teria providenciado três orçamentos do serviço para embasar a decisão judicial. O menor deles foi o aceito para o depósito em juízo."Acontece que eu mandei fazer quatro orçamentos e o mais caro é de R$ 375 mil por 150 dias de serviços, enquanto o deles é de R$ 212 mil por 10 dias de serviço", afirmou. Pelos cálculos do advogado, a empresa está cobrando R$ 21,2 mil por dia, quando o normal no mercado é R$ 2,5 mil.A Stage, que está processando a Associação Brasil por perdas e danos, alega que firmou com ela contrato de locação de serviços no valor total de R$ 555.650,00, a ser pago em oito parcelas. Recebeu R$ 492.143,20, mas as quatro últimas parcelas não foram pagas, acarretando-lhe prejuízos de R$ 71.439,40. A Stage protestou as duplicatas, mas a associação conseguiu a sustação judicial do processo. Segundo Lamano informou, na época o valor estava superfaturado e a associação entendia que já tinha pago o estabelecido no contrato.Os desentendimentos entre as duas partes recomeçou no domingo, quando foi encerrada a etapa paulista da Mostra do Redescobrimento. "A mostra acabou às 22 horas e no instante seguinte a Stage já estava na porta, querendo retirar o equipamento de iluminação", diz o advogado. "Há obras de valor estimado em até US$ 100 milhões no Ibirapuera e uma mostra desse porte só pode ser desmontada dentro das normas museológicas internacionais."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.