Brad Pitt volta aos cinemas em filme de Tarantino

'A vingança move mais que o amor': com esse mote, Tarantino realizou a fantasia de guerra

AE, Agencia Estado

09 de outubro de 2009 | 11h00

 

Em Cannes, em maio, Brad Pitt não deixou por menos - ‘The guy is crazy’, o cara é louco. "Quentin (Tarantino) foi me visitar uma noite dizendo que queria me mostrar o projeto de um filme. Bebemos durante cinco horas, sem parar, e ele interpretou todos os personagens e descreveu minuciosamente as cenas, que já estavam prontas em sua cabeça. Quando ele foi embora, minha sala parecia um campo de batalha. Era garrafa para tudo que é lado. Mas eu o mataria se não fizesse Aldo, the apache."

 Assista ao trailer de Bastardos Inglórios

 

Bastardos Inglórios estreia hoje. O filme fechou anteontem o Festival do Rio, mas o que seria a gala de encerramento virou uma cerimônia chocha depois que Quentin Tarantino desistiu de vir ao Brasil. Pior para ele - a plateia era formada predominantemente por jovens que cultivam o autor. Os lugares vagos deveriam ser ocupados pelos convidados, que, sem o diretor, não se sentiram motivados a embarcar na aventura de guerra do polêmico autor de Tempo de Violência (Pulp Fiction).

 

Em Cannes, o próprio Tarantino falara longamente para o repórter do Estado sobre suas fontes de referência. Bastardos Inglórios retira seu título de um filme que o italiano Enzo G. Castellari realizou nos anos 1970, com Bo Svenson. No original, era Quel Maledetto Treno Blindato, mas o título internacional virou Inglorious Bastards - o do filme de Tarantino é Inglorious Basterds, com E. Quem viu o original deve se lembrar da frase no cartaz - ‘Whatever The Dirty Dozen do, they do it dirtier’. Há aí um trocadilho. The Dirty Dozen chamou-se, no Brasil, Os Doze Condenados e a ideia é - o que os doze condenados fazem, eles fazem pior (ou mais ‘sujo’).

 

The Dirty Dozen é o clássico de ação que o repórter, como Tarantino, idolatra. Boa parte da entrevista foi consumida falando sobre o cult de Aldrich. O restante, sobre Sergio Leone, J. Lee Thompson (Os Canhões de Navarone) e, claro, Castellari, as outras fontes de Tarantino. O filme começa na França ocupada pelos nazistas. Um oficial (Christoph Waltz) invade a fazenda de M. Lapadite em busca de judeus escondidos. A família é descoberta e dizimada. Sobrevive Shoshana (Mélanie Laurent), para se vingar. Este é o primeiro capítulo. No segundo, há um salto para o momento em que o sargento Aldo Raine (Pitt) forma pelotão de oito homens para escalpelar nazistas. Tudo converge para um atentado, contra o próprio Hitler, num cinema em Paris, que exibe a obra-prima da propaganda nazista.

 

Eli Roth, diretor da série Hostel (O Albergue), é ator e também fez, a pedido de Tarantino, o filme dentro do filme, sobre atirador solitário - alemão - que mata a população de uma cidade inteira. Para ele, o cara (Tarantino) é gênio, não louco. "Garoto e judeu, eu ruminava histórias de vingança contra Hitler, mas não teria a coragem de fazer esse filme." Uma história de vingança - "É ela, não o amor, que move o mundo", provoca Tarantino. A metáfora de Bastardos transforma o filme em material explosivo. "O cinema é mais poderoso que dinamite", Tarantino sentencia.

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