BR distribuidora ganha prêmio por incentivo ao cinema

Tudo começou em fevereiro, na entrega do Grande Prêmio Brasil de Cinema. Uma das categorias indicadas devia premiar a empresa ou entidade que mais se destacou no apoio ao cinema brasileiro no ano passado. Havia vários indicados, "um balaio de gatos", define a produtora Gláucia Camargos, que integra a diretoria do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica. Um deles era a BR Distribuidora, a empresa que mais investe no cinema nacional. Para espanto do sindicato, a BR perdeu e isto motivou a diretoria da entidade a criar o Prêmio Paschoal Segreto, entregue ontem à noite, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, a Firjan. Desta vez, fez-se justiça e a BR Distribuidora ganhou o primeiro troféu destinado à empresa que mais tem contribuído para o desenvolvimento da indústria cinematográfica brasileira.Na segunda, o repórter almoçou, no Rio, com a gerente de Comunicação da BR, Elenora de Martino Salim, e Gláucia Camargos. O objetivo do encontro era justamente avaliar e discutir o papel da BR Distribuidora no processo de consolidação pelo qual passa atualmente o cinema do País. A participação do cinema brasileiro no próprio mercado ainda é reduzida, pois ele é maciçamente dominado pelo produto estrangeiro, leia-se Hollywood, que domina mais de 90% do circuito de exibição. Essa é a realidade da distribuição no Brasil. Na outra ponta, a produção, as leis de incentivo são, cada vez mais, o instrumento que viabiliza o aumento do número de filmes feitos no País. As leis de incentivo e empresas como a BR Distribuidora.Você, com certeza, lembra-se de uma peça publicitária com Marieta Severo e Marco Nanini. Ela, vestida de Carlota Joaquina, entra em cena autoritária, ordenando às pessoas que se agachem. Chega a cavalo e vai ´abastacer´ o animal num posto da BR. Um funcionário novato pergunta ao colega mais experiente quem é aquela dona. O outro responde quem é e diz que Carlota só abastece nos postos da BR, porque a empresa patrocinou seu filme e é a que mais investe no cinema brasileiro, em geral. "A peça saturou", avalia Elenora, acrescentando que a BR pensa em criar novos filmes do gênero para diversificar a mesma mensagem. A BR quer ser mesmo a empresa que mais investe no cinema brasileiro. Por isso recebeu o prêmio que leva o nome do pioneiro da cinematografia no País.Falando em nome do presidente da BR Distribuidora, Luiz Antônio Viana, Elenora diz que o prêmio chega em boa hora e ela espera que seja um estímulo a todos os empresários que investem no cinema. "Prêmios como este podem chamar a atenção dos empresários para a necessidade de dar apoio efetivo ao setor." E ela acrescenta que a resposta do público é imediata: "Sabemos que há pessoas que só abastecem conosco por causa do apoio da BR Distribuidora à produção cinematográfica no Brasil."Questão de coerência - Ela não fala em investimento. Prefere usar o termo parceria. "Somos parceiros dos diretores, artistas e técnicos que fazem o cinema brasileiro", diz. Gláucia Camargos, mulher de (e produtora dos filmes de) Paulo Thiago, destaca o apoio que sempre encontrou na BR. "Eles ouvem a gente, têm conhecimento do assunto, uma excelente equipe." Para ela, a BR é a exceção. Uma empresa na qual um projeto, qualquer projeto, pode ser exposto a pessoas interessadas e com conhecimento do setor, o que não ocorre com a diretoria de Marketing da maioria das empresas. A título de provocação, o repórter inicia o almoço dizendo que a BR é a empresa que mais investe no cinema brasileiro e na devastação do meio ambiente. Elenora é afável, simpática, mas vai logo fazendo a correção. "A BR Distribuidora investe no cinema brasileiro e não investe em crimes contra o meio ambiente." Esses ´acidentes´, ela emprega o termo, têm atingido a holding Petrobrás e terminam refletindo-se na BR, mas sem que possa ser creditada nenhuma responsabilidade a essa última. E quanto ao fato de a BR investir tanto no cinema brasileiro, "é só uma questão de coerência". Afirma, de novo expressando a filosofia do presidente da empresa: "Somos uma empresa brasileira que tem por princípio investir nas diversas formas de arte produzidas pelo povo."É verdade, sim, mas a prioridade dos investimentos culturais da BR Distribuidora tem ido para o cinema. No ano passado, foram R$ 20 milhões investidos no patrocínio de 30 filmes e do Festival do Rio, que até incorporou o BR ao nome, transformando-se no Festival do Rio BR 2000. O patrocínio fechado no ano passado deve durar pelo menos mais dois anos, garantindo os festivais deste ano e de 2002. Além dos filmes e do festival, o patrocínio da BR também atinge a preservação da memória do cinema nacional. Ainda no Rio, no ano passado, a empresa patrocinou a recuperação do Cine Odeon, no coração da Cinelândia - e a sala terminou abrigando as cerimônias de abertura e encerramento do Festival do Rio BR 2000 -, mais a restauração da matriz do filme Aviso aos Navegantes, de Watson Macedo, considerado uma das obras-primas da tendência conhecida como ´chanchada carnavalesca´, que fez a glória da empresa Atlântida, nos anos 40 e 50, e de figuras que fazem parte da memória artística do País, como os lendários Oscarito e Grande Otelo.Para este ano, além do projeto de patrocínio de diversos filmes, em estudo, a BR Distribuidora já investiu nos festivais do Cinema Brasileiro de Paris, do Recife e no Festival Internacional de Brasília. Dando continuidade ao projeto de preservação da memória do cinema brasileiro, a empresa está investindo na recuperação de quatro títulos importantes - Alô Alô Brasil, de Ademar Gonzaga, de 1936; Carnaval no Fogo, de Watson Macedo, de 1949; Tudo Azul, de Moacir Fenelon, de 1951; e Menino de Engenho, de Walter Lima Jr., de 1965.Como se não bastasse a recuperação desses títulos fundamentais - Tudo Azul é dos grandes clássicos desconhecidos do cinema brasileiro, espera-se que a recuperação coloque o filme de Fenelon no Olimpo que merece -, a BR Distribuidora patrocina a recuperação do arquivo de matrizes audiovisuais da Cinemateca Brasileira e ainda apóia outra iniciativa que poderá produzir bons frutos para a consolidação do produto cinematográfico brasileiro no País. É o censo cinematográfico, que consiste no levantamento de fitas, cartazes fotos relativas ao cinema nacional, sua catalogação, recuperação e manutenção, trabalho que também será feito em parceria com a Cinemateca Brasileira.Segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica, que engloba 60 empresas, entre produtoras, agências de publicidade, laboratórios e firmas de equipamentos, cerca de 150 filmes foram produzidos no País nos últimos seis anos, com apoio das leis de incentivo. Boa parte deles com verba da BR Distribuidora. Como conseqüência, mesmo que o mercado brasileiro ainda seja dominado por Hollywood, 28 filmes nacionais foram lançados no ano passado, a renda desses filmes teve um aumento de 43% e o número de espectadores também cresceu 26%, em relação a 1999. A BR Distribuidora é importantíssima nesse processo.

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