Botero retrata em 50 quadros as torturas de Abu Ghraib

O colombiano Fernando Botero pintou as torturas infligidas por soldados americanos a presos iraquianos na prisão de Abu Ghraib, e várias delas aparecem na última edição da revista Diners que entrou em circulação neste Domingo. A série, cerca de 50 obras, inclui dois enormes trípticos, três pinturas de grande tamanho e dezenas de desenhos médios, todas inspiradas nas imagens que deram a volta ao mundo e comoveram milhões de pessoas. Mulheres e homens acossados por cachorros e outros animais, posturas infames e humilhantes de corpos sangrentos, grades, sombras e dor foram reproduzidas nas telas do artista colombiano sobre as aberrações nessa prisão. Botero contou à Diners que começou a ler tudo o que pôde a respeito, "como ávido leitor que sou. Li o artigo da New Yorker que foi o primeiro a publicar a notícia". Com essa leitura inicial, assinalou o pintor e escultor, "senti um choque total por esta conduta dos americanos, especialmente porque os Estados Unidos são o modelo da compaixão". Para o artista colombiano, famoso por seus personagens obesos e voluptuosos em pintura e escultura, "os fatos ocorridos nas celas iraquianas foram graves, muito graves. E mais ainda porque ignoram totalmente as exigências para prisioneiros de guerra impostas pela Convenção de Genebra". Botero anunciou que essas pinturas serão expostas pela primeira vez em Roma a partir de 16 de junho, no Palácio Veneza. As peças são intituladas simplesmente Abu Ghraib e numeradas de 1 a 50. "São composições determinadas pelo tempo e a lembrança, com formas em tensão que suscitam múltiplas leituras e emanam uma estranha sensualidade em sua dimensão corporal, que poderia ser interpretada como um comentário irônico das memórias infames que inspiraram o trabalho", diz hoje o jornal bogotano El Tiempo, que dá conta da última edição da Diners.

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