"Bossa Nova" inicia Festival Nacional na Globo

Bossa Nova, de Bruno Barreto, inaugura hoje o Festival Nacional da Globo, que exibe, até sexta, cinco títulos recentes da produção cinematográfica brasileira. O horário é meio barra - 1h55. Vai ser sempre nesta faixa, entre 1h30 e 2 horas. Amanhã passa Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington; na quarta, Tolerância, de Carlos Gerbase; na quinta Amores Possíveis, de Sandra Werneck; e, na sexta, A Partilha, de Daniel Filho (adaptado da peça de Miguel Falabella). A média de freqüentação do filme nacional não ligado à Globo continua baixa, mas nenhum profissional de cinema vai criticar - publicamente, pelo menos - o que representa esse aporte. Há um discurso consensual - os grandes êxitos levam público aos cinemas e estimulam no espectador o hábito de ver filmes brasileiros. Bruno Barreto é responsável por grandes êxitos do cinema do País - sendo o maior deles Dona Flor e Seus Dois Maridos, que o diretor adaptou do romance de Jorge Amado, com Sônia Braga no papel da viúva dengosa que se casa de novo, mas só descobre a felicidade ao vadiar com o fantasma do ex-marido. Bossa Nova foi recebido na base da pancada pelos críticos. A história da americana viúva, que ganha a vida lecionando inglês, no Rio, e se envolve com dois homens - um executivo e um jogador de futebol -, foi definida como macumba para turistas. Barreto mostra um Rio de cartão-postal. Ele diz que sim e não vê isso como defeito. Trafegando entre o Brasil e os EUA, Barreto considera legítima a declaração de amor à cidade em que nasceu - e que considera a mais bonita do mundo. É curioso observar como Bossa Nova possui elementos que o aproximam de outros filmes do cineasta - Amy Irving, mulher de Barreto na realidade, faz uma ex-aeromoça, como Gwyneth Paltrow em Voando Alto. Há um triângulo amoroso, como em Dona Flor. E um dos pretendentes a amante é um jogador de futebol - o novo filme do diretor, que ele rodou em São Paulo, trata justamente da rivalidade entre corintianos e palmeirenses.Bruno Barreto prefere se definir como um contador de histórias. Mas tem sua pretensão autoral - ele fez o cartaz do Festival Nacional de olho num de seus diretores preferidos -, o francês François Truffaut, um romântico que sempre desconfiou do romantismo. Veja - e depois a gente checa a audiência. A prática mostra que os filmes brasileiros, os grandes ausentes da TV aberta, registram médias elevadas quando conseguem ir ao ar.

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