Bossa Nova e Rádio Eldorado festejam 50 anos na Bienal

'Bossa'50' é mostra interativa, multimídia e gratuita que poderá ser vista a partir de 3.ª no Pavilhão do Ibirapuera

Da Redação,

09 de julho de 2008 | 15h38

Uma iniciativa da Rádio Eldorado, a exposição interativa e multimídia Bossa'50 abre as portas ao público no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na próxima terça-feira, 15. Gratuita, ela tem a preocupação de contar as influências e os desdobramentos do movimento bossa-novista que mudou o panorama musical brasileiro em meados do século passado. Ela vai até 24 de agosto. Veja também: Exposição Bossa'50   Figurinos criados especialmente pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga, como as criações inspiradas em Nara Leão que desfilou na SPFW do ano passado. Foto: Divulgação. Faz também 50 anos que a Rádio Eldorado foi criada. Ela foi a primeira no Brasil a tocar Chega de Saudade."Em 1958, a Eldorado foi a única que teve coragem de tocar a música de Vinicius de Moraes e Tom Jobim em ritmo de bossa nova", diz Miriam Chaves, diretora-executiva da rádio. Miriam diz que a Eldorado combina com a bossa nova, porque tem no DNA a união entre sofisticação e simplicidade. A curadoria da exposição é do professor da PUC-SP Walter Garcia Jr. Autor de Bim Bom: A Contradição Sem Conflitos de João Gilberto (Paz e Terra, 1999), Walter Garcia Jr. se preocupou em traçar um painel que tanto olhasse para o passado como para o futuro da bossa nova. ''A extensão da bossa nova é maior do que 1958, a gente escolhe uma data porque precisa de um marco para estabelecer mudanças'', ele diz. Walter Garcia Jr. considera como marco da bossa o 78 rotações de João Gilberto com as obras Chega de Saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) e Bim Bom (João Gilberto), e não o elepê Canção do Amor Demais, de Elizeth Cardoso, onde pela primeira vez aparece a batida de violão joãogilbertiana. "A interpretação de Elizeth não é bossa nova, ela canta de outro jeito'', ele explica. ''A bossa nova busca o que é essencial, e João Gilberto achou a essencialidade, é aquela coisa: se acrescentar sobra, se tirar, falta." Nesse momento, segundo o professor da PUC-SP, a bossa nova vira uma arte para consumo de massa. "Ela é generosa, é acessível, para as pessoas de pensamento sossegado, expressão emprestada de Mario de Andrade", afirma. Bossa'50 volta ao anos 1930 para mostrar o caldo de cultura que culminaria na bossa nova. O modo de cantar de Noel Rosa, Mário Reis e Orlando Silva prenuncia o canto bossa-novista. A exposição mostra as outras fases da bossa nova, como o engajamento das canções de protesto. Também registra os desdobramentos, como a valorização do samba pela classe média e a ruptura dos tropicalistas. A intenção da curadoria de Bossa'50 é mostrar com simplicidade e inteligência o que possibilitou a modernização da música brasileira, no mesmo momento em que o Brasil estava voltado para a transformação de um país agrário-exportador em uma nação urbano-industrial. Para tanto, material iconográfico e informativo coletado em jornais e revistas da época vai mostrar fatos importantes daquela e de outras décadas. Mais de 250 fotografias saíram do arquivo da Agência Estado. O público poderá passear por 21 estações sonoras, onde estarão disponíveis cerca de 500 músicas, que varrem o período de 1930 até 2006 . Haverá a exibição de trechos de filmes em que a bossa nova esteve de algum modo presente. Fernando Faro cedeu entrevistas e interpretações dos artistas da bossa nova contidas no acervo do seu programa Ensaio. Com a seleção, Faro pretende mostrar o que foi essa ''revolução musical''. ''A bossa nova começou em 58 e continua, os músicos aprenderam mais sobre violão e harmonia, e os caminhos percorridos depois foram abertos por ela'', diz Faro. Além dos programas Ensaio, videoclipes de clássicos como O Barquinho (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli) serão produzidos pelos diretores Paulinho Caruso, Ricardo Laganaro, Caio Cobra e Hugo Gurgel. O estilista mineiro Ronaldo Fraga criou figurinos inspirados em canções da turma bossa-novista e no espírito do movimento. Ele dá continuidade às criações inspiradas em Nara Leão, exibidas na São Paulo Fashion Week no ano passado. Cerca de 250 elepês, entre os quais 30 raríssimos, pertencentes à coleção de Caetano Rodrigues, contam por meio da criatividade gráfica um pouco mais da história da bossa nova. A pesquisa sobre as capas dos discos foi feita por Charles Gavin.

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