Bortolotto encena contos de Marçal Aquino

Amanhã é noite de estréia na 2.ªMostra Cemitério de Automóveis - a peça Faroestes, que reúnequatro contos de Marçal Aquino, adaptados para o palco pelodiretor, dramaturgo e ator Mário Bortolotto. Autor de livroscomo Miss Danúbio, Amor e Outros Objetos Pontiagudos eFaroestes, Aquino também assina o roteiro de dois filmescriados a partir de sua literatura - Os Matadores e OInvasor, ambos dirigidos por Beto Brant. Com a estréia deFaroestes amanhã - com Jairo Mattos e o próprio Bortolottono elenco -, será a primeira vez que Aquino verá sua obraadaptada para o teatro. E por outro dramaturgo. Com o qual temalgo em comum. "Minha literatura nasce das ruas. Como a deMário", afirma Aquino.A compulsão para criar intensamente foi a primeira coisaque chamou atenção de Aquino para o trabalho de Bortolotto,quando este realizou, há dois anos, a 1.ª mostra no CCSP, com 14peças, todas de sua autoria. "Fiquei curioso para conhecer umcara que escrevia tantas peças e fui lá", lembra Aquino. Gostoudo que viu, comprou os livros de Bortolotto - ele tem 19 peçaseditadas em três livros - e agora surge a primeira parceriaartística. Não foi muito diferente a aproximação de Bortolotto, que leu Miss Danúbio, gostou, e resolveu entrevistar Aquinopara um jornal de Londrina. "A entrevista acabou não sendopublicada, mas importante mesmo foi que a partir daí a gente setornou brother.""Acerto de contas" é o tema comum dos quatro contos deAquino escolhidos por Bortolotto para criar a peça Faroestes, que não necessariamente foram publicados no livro homônimo. "Onome do espetáculo foi sugerido por Marçal por conta do climaque rola em cena", diz o diretor. A primeira história éambientada num bar de periferia, envolvendo bandidos e polícia.Na segunda, um sujeito sai da cadeia e vai acertar contas com oparceiro, que está numa boa e foi responsável por sua prisão. Naterceira, uns caras vão cobrar de uma garota o fato de ela nãomais visitar o seu companheiro que está preso. E, na outra, umgaroto vai tirar satisfações com o "companheiro" de seu pai.Bortolotto optou por não fazer uma "costura"dramatúrgica unindo os contos. "São cenas separadas que têm emcomum esse clima de acerto de contas."Aquino, obviamente, é presença garantida na platéia amanhã ànoite. Assim como foi no domingo, quando estreou na mostraHerói Devolvido, também adaptação de Bortolotto para aliteratura de outro autor com o qual tem afinidade temática:Marcelo Mirisola.Para quem ainda não se ligou na Mostra Cemitério deAutomóveis - que vem lotando o Espaço Cênico Ademar Guerra deterça a domingo no CCSP - trata-se de uma espécie de fenômenodigno de figurar no livro dos recordes. Em três meses, de julhoa setembro, o porão do CCSP é palco de 26 peças, 20 delasassinadas por Mário Bortolotto, que também dirige e atua em 21delas. São 72 dias de uma maratona que envolve 80 atores, em 142apresentações - duas sessões por noite de peças diferentes.Fundador do Grupo Cemitério de Automóveis, Bortolotto e a atrizFernanda D´Umbra, produtora da mostra, praticamente se mudarampara o CCSP. "A gente chega ao porão por volta de 11 horas demanhã e só sai depois da meia-noite", diz Bortolotto.Ele ensaia em torno de seis peças por dia. "Dirijo umacena com um núcleo de atores e, enquanto eles vão ensaiando,dirijo outro núcleo e assim por diante. Há momentos em que háseis ou sete grupos ensaindo ao mesmo tempo. Às vezes, num cantose ensaia uma cena violenta, com gritaria, e ao lado outro grupoensaia uma cena intimista. É difícil. Mas é o jeito", diz. Oresultado, principalmente na estréia de cada uma delas, nemsempre deixa o exausto diretor inteiramente satisfeito. "Claroque eu preferia ter mais tempo, fazer as coisas com mais calma,ensaiar muito mais. Porém, eu raramente consigo pauta em teatro,nunca dinheiro.E quando surge a oportunidade de trabalhar, éfundamental fazer o máximo. Tinha muito ator querendo participare não quis deixar ninguém de fora. Quase não durmo, o resultadonão é 100% como eu queria, mas ainda assim é gratificante. Mesmocom o tempo curto, com o cansaço, a mostra está bacana. Estásempre lotada e a turma está curtindo."Faroestes. Adaptação de contos de Marçal Aquino. Hoje e dias 6 (R$ 1,00), 20 e 27/8 e 3, 10, 17 e 24/9. Terça, às21 horas.O Herói Devolvido. Adaptação do livro homônimo deMarcelo Mirisola. Ambas adaptadas e dirigidas por MárioBortolotto. Dias 4 (R$1,00), 11 e 25/8 e todos os domingos desetembro, às 18 horas. R$ 5,00. Centro Cultural São Paulo. Rua Vergueiro, 1.000, Tel. (11) 3277-3611.

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