Luke McGregor/Reuters
Luke McGregor/Reuters

Booker Prize vai para o humor de Howard Jacobson

Mais prestigioso prêmio da língua inglesa causa surpresa ao premiar 'The Finkler Question'

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

13 de outubro de 2010 | 14h13

"Estou sem palavras", comentou o escritor britânico Howard Jacobson, logo depois de ganhar, na noite de terça-feira, o Man Booker Prize, o mais prestigioso prêmio literário concedido na comunidade de língua inglesa. Ele venceu com o romance The Finkler Question, batendo favoritos como o australiano duplamente vitorioso Peter Carey e o britânico Tom McCarthy, que liderava a bolsa de apostas. Apesar de iniciado por uma frase previsível, o discurso de Jacobson logo enveredou para terrenos mais férteis. "Felizmente, tenho um preparado. Foi escrito em 1983, ou seja, a espera foi muito grande."

 

Aos 68 anos, Jacobson já escreveu 15 romances, todos com um toque de humor e a maioria abordando temas judeus. The Finkler Question, segundo ele, é uma comédia sobre tristeza e perdas. O livro acompanha a trajetória de Julian Treslove, um ex-produtor de rádio da cadeia pública britânica BBC que muda de identidade depois de ser atacado a caminho de casa. "Minha intenção é fazer o leitor chorar e gargalhar ao mesmo tempo", disse, logo depois do anúncio de seu nome no Guild Hall, em Londres.

 

A conquista já produziu dividendos - tão logo a notícia se tornou pública, a editora Bloomsbury, que lançou o livro, anunciou que vai reimprimir outras 50 mil cópias de The Finkler Question. Uma cifra respeitável, uma vez que, até então, a obra só vendera 8.300 exemplares. Não é a primeira vez que o Booker Prize provoca tal efeito: em 2008, a vitória do indiano Aravind Adiga catapultou seu O Tigre Branco de uma cifra inferior a 6 mil exemplares para 527 mil.

 

"Esperei muito tempo para vencer", disse Jacobson, sem falsa modéstia. "Estava cansado de ser subavaliado, mas confesso estar verdadeiramente espantado. Houve muita amargura, mas já terminou. Esperei cerca de 30 anos até chegar a este momento." Ele também concordou com as comparações de sua escrita com as de Philip Roth e Jane Austen. "Concordo que meu livro seja em parte cômico, mas, penso como um romance em quadrinhos, pois, para mim, ser um autor de quadrinhos é ser sério."

 

Perguntado sobre sua próxima obra, Jacobson disse que estava trabalhando em um livro sobre um escritor sem sucesso, mas que pode ter de mudar agora. Entrevistado na terça, 12, pela manhã pela imprensa inglesa, ele afirmou esperar um aumento nas vendas de The Finkler Question, que se tornará um marco em sua carreira literária. Jacobson teve outras duas obras relacionadas pelo Booker (Kalooki Nights, em 2006, e Who’s Sorry Now, em 2002), mas nenhuma delas foi finalista.

 

Jacobson derrotou adversários de categoria. Como o australiano Peter Carey, que lutava por um inédito tricampeonato (tinha vencido em 1988 por Oscar e Lucinda e em 2001 por A História do Bando de Kelly). Ele competia com o romance histórico Parrot and Olivier in America, inspirado nas viagens à América do filósofo francês Alexis de Tocqueville.

 

Já o britânico Tom McCarthy era favorito por sua trama sobre um homem obcecado pelo tempo e tecnologia, C. A escrita experimental valeu-lhe comparações com James Joyce.

 

Os outros finalistas foram Room, da escritora irlandesa-canadense Emma Donoghue sobre um menino e a mãe que vivem prisioneiros em um cortiço; In a Strange Room, do sul-africano Damon Galgut; e The Long Song, de Andrea Levy, que narra a história de um escravo do século 19 em uma plantação de cana de açúcar na Jamaica.

 

 

2009

Hilary Mantel (inglesa) - Além da Escuridão (Record)

 

2008

Aravind Adiga (indiano) - O Tigre Branco (Nova Fronteira)

 

2007

Anne Enright (irlandesa) - O Encontro (Editora Alfaguara)

 

2006

Kiran Desai (indiana)  - O Legado da Perda (Alfaguara)

 

2005

John Banville (irlandês)  - O Mar (Nova Fronteira)

 

2004

Alan Hollinghurst (inglês) - A Linha da Beleza (Nova Fronteira)

 

2003

DBC Pierre (australiano) - Vernon God Little (Record)

 

2002

Yann Martel (canadense) - A Vida de Pi (Rocco)

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