Bono e Bob Geldof desafiam Sarkozy a cumprir promessas à África

Os roqueiros ativistas Bono e Bob Geldofdesafiaram na quarta-feira o presidente francês Nicolas Sarkozya aumentar a ajuda à África, dizendo que a França não estácumprindo os compromissos que assumiu numa cúpula do G8 em2005. O vocalista do U2 e o ex-cantor dos Boomtown Rats, queexerceram papel ativo nos concertos Live 8, em apoio à ajudaemergencial e alívio da dívida, disseram que é "vergonhoso" ofato de os líderes do G8 não terem cumprido as promessas quefizeram às populações mais pobres do mundo. Em Gleneagles, Escócia, em 2005, os integrantes do G8prometeram dobrar até 2010 a ajuda prestada à África. Mas, deacordo com relatório do grupo DATA divulgado em Paris pelosroqueiros, na quarta-feira, até agora o G8 cumpriu apenas 14por cento do que prometeu. O relatório do DATA diz que a França é um dos países quemais deixam a desejar, tendo diminuído a ajuda que presta àÁfrica subsaariana em 66 milhões de dólares entre 2006 e 2007 eaté agora fornecido menos de 7 por cento dos recursosprometidos em Gleneagles. De acordo com o relatório, dos sete países que assumiramcompromissos com a África em Gleneagles, apenas a Itália estáse saindo pior que a França, tendo reduzido a ajuda prestadadesde 2005, em valores líquidos. A melhor performance é a doJapão, que já cumpriu suas promessas. Geldof e Bono consideram que é especialmente chocante ofato de a França descumprir o que prometeu, em vista dorelacionamento forte que mantém com muitos países africanos,devido a seu passado colonial, e também a seu histórico dedefensora dos direitos humanos desde a Revolução de 1789. Eles também escolheram a França como alvo especial decríticas porque Paris está prestes a assumir a presidênciarotatória da UE, e eles esperam que um aumento da assistênciafrancesa possa motivar os outros membros europeus do G8,Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, a também fazer mais. E os roqueiros querem que a França, uma das principaisbeneficiárias da contestada Política Agrícola Comum da UE, façaum esforço maior para reformar o sistema de subsídios agrícolasque, segundo eles, prejudica os agricultores africanos.

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