Bonfati expõe auto-retrato no museu

Nos últimos meses, o artista plásticoGianguido Bonfanti dedicou-se ao auto-retrato, gênero queconsidera fundamental a todo pintor figurativo. "A encomenda deum colecionador somou-se ao desejo antigo de abordar o tema. Vique estava maduro, pronto para o desafio", conta o pintor, queinaugura amanhã, no Museu Nacional de Belas Artes, uma mostra deóleos sobre telas, gravuras e bicos-de-pena, a maioriaauto-retratos. E lança o livro Gianguido Bonfanti, com suaprodução mais recente e textos do poeta Ferreira Gullar e dojornalista Daniel Piza, editor-executivo do Estado. "Há aindanove telas grandes, em que figuras humanas exploram a solidão, afalta de comunicação e a solidariedade." As cores terra e os cinzas predominam nos óleos sobretela, nos quais não há vermelho, azul ou outras cores vivas.Bonfanti não explica a razão dessa preferência. "Vem da alma,não sou eu quem escolhe", justifica. "O uso de cores neutras éum sinal de amadurecimento, de que as outras cumpriram o papel.Faço o esboço na tela, ou o desenho a bico-de-pena diante doespelho, no caso dos auto-retratos, e depois vem a pincelada. Osquadros grandes demoram até três semanas para ficaremprontos." Gianguido Bonfanti é carioca, filho de italianos. Foiprecoce. Aos 14 anos, era aluno de Potty Lazzarotto, oilustrador de clássicos da literatura brasileira, e aos 19expunha pela primeira vez. Pouco depois ilustrava artigos naimprensa nacional. Arquiteto, passou boa parte da vida ensinandoe aprendendo pintura no Brasil e no exterior, enquanto recebiaprêmios em salões nacionais e tinha obras adquiridas por museuse colecionadores. Sua influência confessa é o gaúcho IberêCamargo e o comentário de Piza no livro o envaidece. "Eleescreveu que assim como Camargo foi o maior pintor brasileiro doséculo 20, eu sigo seu caminho no século 21", conta. "Iberêrealmente é o maior." Os auto-retratos não são comuns na obra do gaúcho, masocupam o pensamento do carioca há anos. "Fiz retratos quandoainda penetrava no universo da pintura, mas precisei amadurecerpara voltar a eles. O retrato é complexo porque acessa asentranhas das pessoas e as expõe", teoriza. "Creio que, quandovoltar aos quadros maiores, explorando mais de uma figura,estarei influenciado por essa experiência com osauto-retratos." Não que a fase esteja encerrada. Para atender aocolecionador, Bonfanti fez quatro auto-retratos em óleo e,entregue a encomenda, continuou no tema. Agora, ele não definiuque caminho seguirá nos próximos meses. "A exposição é ummomento de balanço em que fecha um processo e reúne a produção" ensina. "Só após dar esse panorama, decido o que fazer. Massinto vontade de voltar às telas maiores."

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