Bom pretexto para Djavan voltar à cena

Seriam, tecnicamente, dois pecados em um. O primeiro: lançar um disco com regravações de canções já lavadas e torcidas por ele mesmo. O segundo: investir em uma versão ao vivo com DVD deste mesmo disco. O mais do mesmo vezes dois. Mas é preciso ter calma quando se fala de Djavan. Um álbum que reúna canções de um homem que fez Lambada de Serpente (com Cacaso), Flor de Lis e Linha do Equador (todas no disco) não pode ser jogado na gôndola dos desesperados. O disco de agora, com o DVD, foi gravado no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Traz um Djavan de nylon, limpo, com aquela extensão de voz que chega com folga onde quer, amparada delicadamente pelas cordas de guitarra e violão de Torcuato Mariano, os baixos acústico e elétrico de André Vasconcellos e a percussão minimalista de Marcos Suzano. Não há reinvenções de Sina, Palco ou Samurai. E suas apostas em latinidades como no flamenco La Noche, de Enrique Carbonell e Juan José Suarez, e no bolero Sabes Mentir, de Othon Russo, não precisam de nada além de serem cantadas como são. Djavan precisava voltar, e fez o melhor ao decidir reapresentar aquilo que o tempo não vai apagar.

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