Bom nível no 1º dia da competição

BRASÍLIA

Luiz Zanin Oricchio / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2010 | 00h00

Pode-se dizer que a primeira noite de competição do Festival de Brasília teve bom nível, com a apresentação do longa A Alegria e dos curtas-metragens Cachoeira, de Sérgio José de Andrade (AM), e Fábula das Três Avós. No entanto, o destaque fica para o longa, de longe a melhor parte do programa.

Em A Alegria, vê-se um afrontamento entre a realidade e o mundo da fantasia, que é esboçado na própria forma oscilante do filme. De um lado, a crise da adolescência; de outro, esse elemento pessoal, colocado contra o pano de fundo (ou de frente?) da violência urbana carioca. Desse modo, o registro flutua e passa a depender tanto do que acontece lá fora quanto do mundo interior da garota Luisa, abandonada sozinha em sua casa e que passa a viver com um grupo de amigos.

A presença do pai (Marcio Vito) é esporádica e se expressa por conselhos ou frases lapidares endereçadas à filha. Não se sabe seu efeito sobre a confusão ambulante que é Luisa. O ambiente é de caos, a cidade tomada, e Luisa decide testar os limites de sua coragem. A alegria passa a ser uma tarefa. Embalada pelo óbvio 4.º movimento da Sinfonia Coral de Beethoven, a Ode à Alegria. O filme de Bragança e Meliande, da mesma forma que No Meu Lugar, de Eduardo Valente, procura colocar a questão da violência carioca em outro patamar de elaboração, um nível, digamos, não sociológico. Estão no caminho. Mas aonde ele conduz?

Os dois curtas da noite despertaram interesse na plateia, mas nenhum deles sai consagrado. São ok., embora com limitações. Cachoeira é inspirado em história real e fala de grupo indígena que consome uma beberagem fatal e cultiva pactos de suicídio. Tem qualidades, inclusive na filmagem da selva, sempre difícil, mas falha na transmissão do impacto desses eventos trágicos, que aparecem atenuados na tela. Já Fábula diverte com seu universo mágico. Enfoca uma pequena órfã, levada por um personagem estranho a conhecer suas avós: uma delas, a que ela mais gosta, vai adotá-la. Uma pequena fábula, que toca com delicadeza no tema da morte e exibe alguns momentos melhores do que outros.

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