Bolsa de Arte leiloa paisagens dos séculos 19 e 20

Paisagens brasileiras dos séculos 19 e 20 dominam os trabalhos do primeiro leilão que a Bolsa de Arte do Rio realiza este ano. Será na terça-feira, às 21 horas, no Copacabana Palace. Um dos dois quadros com avaliação mais alta (entre R$ 250 mil e R$ 350 mil), o óleo sobre tela Fazenda Recreio - Bemposta, do ítalo-paulista Georg Grimm, reproduzindo a propriedade da família Guinle no Estado do Rio em 1881, tem este tema, comum a quase um terço das obras oferecidas. O outro quadro com essa avaliação é Pescadores, de Di Cavalcanti, de 1972.A grande oferta de paisagens não é coincidência. Cerca de 40 obras desse leilão são de um colecionador paulista cuja identidade não foi revelada pelo diretor da Bolsa de Artes, Jones Bergamin. "É um casal conhecido, que pertenceu à Sociarte, instituição da qual faziam parte cerca de cem famílias tradicionais de São Paulo com importantes coleções", conta Bergamin. "Eles decidiram desfazer-se da coleção em vida e há obras que só têm equivalentes em museus e instituições públicas."Só de Baptista da Costa há pelo menos quatro óleos reproduzindo paisagens da zona sul do Rio no fim do século passado (avaliadas entre R$ 30 mil e R$ 100 mil). Mas o Baptista com preço mais alto (entre R$ 180 mil e R$ 220 mil) é a paisagem rural Saudoso Recanto - Piabanha. Há também uma tela de Giovanni Castagneto mostrando o Corcovado em 1888 (avaliado entre R$ 18 mil e R$ 22 mil), uma exceção desse pintor de marinhas. Há pelo menos três delas no leilão e a mais valorizada é Faluas Ancoradas na Ponta do Caju, de 1886, com preço entre R$ 140 e R$ 160 mil.Do século 20, há Praia com Barcos e Trem - Mangaratiba, retrato do balneário em 1955, feito por Pancetti (entre R$ 120 e R$ 160 mil), e o Morro do Querosene - Santa Tereza, de Joaquim Tenreiro (entre R$ 14 mil e R$ 18 mil) e um Porto de Barcos - Niterói, em 1925, de Garcia Bento (entre R$ 15 mil e R$ 20 mil). A paisagem do interior de São Paulo tem como destaques dois óleos sobre tela de Benedito Calixto, Porto de Santos, em 1914 (avaliado entre R$ 40 mil e R$ 60 mil), e A Caminho de Piratininga, em 1905 (entre R$ 40 mil e R$ 50 mil).Bergamin explica que a maior parte dessas obras foi realizada por influência de Georg Grimm que, de volta de uma temporada na Itália, influenciou os pintores locais a sair dos ateliês e pintar ao ar livre, como os impressionistas franceses já faziam desde o século 19. "É o momento em que se rompe a linguagem acadêmica e que se substituem as naturezas-mortas e as obras feitas a partir de modelos estáticos pela paisagem", diz Bergamin. "Nessas obras, mais que o tema, o importante é o uso da luz e o momento escolhido para reproduzir a paisagem."O diretor da Bolsa de Arte diz que a alta do dólar aquece o mercado nacional de artes, pois num leilão público, em que as obras são avaliadas em reais, os compradores têm vantagem. "Quem adquire um quadro por R$ 35 mil, está pagando cerca de US$ 10 mil e esse valor em dólar não se modifica", explica. "Este primeiro leilão de 2001 vai dar um amostra do mercado depois dessa mudança na economia, mas o interesse que a exposição despertou desde a semana passada prova que está aquecido."

Agencia Estado,

13 de maio de 2001 | 13h25

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