Reprodução
Reprodução

Bolognesi mostra no Rio 'Uma História de Amor e Fúria'

Filme é a primeira animação brasileira a participar de um grande festival no País

LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo,

08 Outubro 2012 | 10h33

RIO - Você já o conhece - e provavelmente admira - como roteirista dos filmes da mulher, Laís Bodanzky. Luiz Bolognesi mal consegue conter a ansiedade. Um grande mistério vai se dissipar nesta segunda à noite na tela do Cine Odeon e ele estará fazendo história na Première Brasil. Uma História de Som e Fúria é a primeira animação brasileira a participar de um grande festival no País. O Festival do Rio selecionou o filme para concorrer ao troféu Redentor em igualdade de condições com live actions que representam a produção de ponta do Brasil. "Não temos tradição de animação e o fato de o filme ter sido selecionado, sem brincadeira, não é importante só para mim e a equipe que fizemos, agora falo no plural. É importante para a animação brasileira, para a garotada que carregou o filme com tanto entusiasmo."

O que o público do Rio vai ver - e o espectador brasileiro em março/abril de 2013 - é um filme que começou a nascer em 2001/2002, mas que, efetivamente, começou a ser produzido em 2006. "Logo depois de Bicho de Sete Cabeças, começamos a ser sondados, Laís e eu, para novos projetos. Eu tinha essa ideia louca. Coleciono gibis desde 14 anos, sempre gostei muito de HQs. Mas eu também amo História do Brasil. Leio desde autores como Câmara Cascudo e Sérgio Buarque até fontes primárias, as cartas de jesuítas para sua matriz portuguesa. Sempre quis juntar esses dois amores - o gibi e a História. O filme nasceu desse movimento."

Uma animação com cara e linguagem de HQ. Uma História de Amor e Fúria divide-se em quatro segmentos que tratam da colonização, da escravidão, do regime militar e do futuro, a luta pela água, em 2096. Como herói, um guerreiro imortal que atravessa o tempo como encarnação de uma força primordial que vai tentar libertar primeiro os tupinambás, na origem da trama, e depois o próprio povo brasileiro. Esse herói, curiosamente, tem a cara do diretor. "Você não é a primeira pessoa que me diz isso e nem sei como responder, porque não era um objetivo. Trabalhei com atores que admiro muito, Selton Mello, Camila Pitanga e Rodrigo Santoro. Há seis anos, Selton e Camila sentaram-se em banquinhos comigo e gravaram todas as falas. No início, era o Verbo. Literalmente, o roteiro. João Gilberto puro. Um banquinho e sem violão, eles tinham de dar seu show, e deram. A mulher, Janaína, encarnação do feminino através do tempo, saiu com a cara e o erotismo de Camila. Ele, que é o Selton, ficou com a minha cara, mas juro que não foi intencional."

Uma animação para adultos? Totalmente, e esta é, no limite, a maior inovação de Uma História de Amor e Fúria. "A animação brasileira é voltada para o público infantil. Temos algumas experiências para adultos, mas fundamentalmente em curtas. Aqui, é o adolescente e o adulto que queremos conquistar."

Mais conteúdo sobre:
cinema Festival do Rio

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.