Evelson Freitas/Estadão
Evelson Freitas/Estadão

Bolha in Rio

Em um mercado em crise, maior festival do País volta com números superlativos. Qual o seu segredo?

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 Setembro 2013 | 02h21

Chegou a hora da grande romaria do pop e do rock. A partir da próxima sexta, durante 7 dias, cerca de 600 mil pessoas se deslocarão para a Cidade do Rock, em Jacarepaguá (300 mil delas de fora do Rio).

Bruce Springsteen, Beyoncé e Justin Timberlake são as principais atrações de um festival cujo impacto econômico na cidade do Rio é de mais de R$ 1 bilhão (cerca de US$ 482 milhões), segundo estudo realizado pela Riotur (15% a mais do que a última edição, em 2011, que teve renda de US$ 420 milhões).

O estudo prevê ainda que os gastos dos turistas na cidade (não incluindo a compra de ingresso e transporte até a Cidade do Rock) seja de aproximadamente US$ 246 milhões (R$ 500 milhões). A estimativa de gastos com alimentação e produtos na Cidade do Rock é de US$ 30 milhões (mais de R$ 60 milhões). O festival gera cerca de 18 mil empregos diretos e indiretos e a taxa de ocupação hoteleira alcança 95%.

O inventor dessa bem-sucedida franquia é o publicitário Roberto Medina, de 66 anos, que revela, em entrevista ao Estado, o segredo da longevidade e da aparente "blindagem" que seu festival usufrui no meio da crise do show biz nacional. Segundo Medina, embora a edição 2013 tenha ficado mais cara do que a de 2011,ele arrecadou mais patrocínio: R$ 104 milhões.

Medina rebate as críticas de que de "rock" o festival não tem mais nada. "O cara que se manifesta nas redes sociais é o mais radical, mais ativista, mais duro e heavy. Muita gente incorre no erro de ter de agradar à manifestação das redes sociais. Eu digo: tem de olhar também para a rede social, mas com cuidado. É preciso ter feeling", afirmou Medina, que, embora tenha curadores, dá a última palavra em todo o cast do festival.

Na entrevista, Medina também fala das consequências da venda de 50% do Rock in Rio para o empresário Eike Batista, cujas empresas estão à beira da insolvência, e revela que deve finalmente instalar o Rock in Rio nos EUA, em Las Vegas, em 2015. Segundo a Riotur, 12% do público do Rock in Rio corresponde a turistas estrangeiros, 38% a turistas nacionais e 50% ao público do Rio. A Sinfônica Brasileira, com 65 músicos, será a primeira atração na abertura do festival, no dia 13. Será regida por Roberto Minczuk e tocará Beethoven e Villa-Lobos, Beatles, Stones, Queen e Metallica. Logo após, haverá homenagem a Cazuza, preparada especialmente para o evento (há dois anos, o homenageado foi o Legião Urbana).

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