Bola da vez é o Maccabees

Grupo londrino se destaca com pop rock original e é atração de festival no Jockey, dia 20 de outubro Felix White,

JOTABÊ MEDEIROS, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h09

guitarrista e vocalista

O quinteto londrino The Maccabees é mais uma prova da vulcânica vitalidade da Inglaterra na produção de boas bandas de pop rock. Sensação da temporada com seu novo álbum, Given to the Wild, o grupo - a exemplo do Oasis, com Noel e Liam Gallagher - é liderado por uma dupla de irmãos, Orlando e Felix White (vocais e guitarras).

The Maccabees toca às 17h45 do dia 20 de outubro no Planeta Terra Festival 2012, no Jockey Club, em São Paulo. Seu som suscita um leque de comparações absurdo de tão amplo: de Talk Talk e Bush a David Bowie. Seu primeiro disco foi Colour It In, de 2007.

Em 2009, lançaram Wall of Arms. Se o leitor curte Maximo Park, The Futureheads, e mesmo Interpol ou Coldplay, o som do Maccabees está nessa seara. Está e não está. "Fizemos, no nosso segundo disco, uma coisa muito diferente do primeiro, buscando um resultado mais conceitual e que, ao mesmo tempo, não nos deixasse associados a nenhuma outra banda", disse ao Estado o guitarrista Felix White, em entrevista por telefone, de Londres.

Ouvi o Maccabees tocando o tema do filme Esqueceram de Mim em um vídeo da BBC. Vocês pareciam estar se divertindo muito. É assim que encaram o pop rock, como pura diversão?

Não estamos tentando ser rock stars, essa é a verdade. Aqui na Inglaterra, esse termo, rock stars, já sugere às pessoas que se trata de um bando de metidos que não se preocupa com ninguém mais a não ser consigo mesmos. Estamos tentando nos tornar críveis para nós mesmos, fazer uma música na qual a gente se reflita e que nos represente. Essa história do vídeo de Esqueceram de Mim é a seguinte: é muito comum aqui convidarem as bandas para fazerem versões de coisas muito conhecidas. Você pode levá-las a sério ou brincar com elas. Fizemos as duas coisas: demos uma pegada séria, mas também estávamos nos divertindo muito.

Tem algumas bandas brasileiras de sucesso aí na Inglaterra, como o CSS e o Bonde do Rolê?

Conheci o CSS bem. É uma banda muito legal. Devo dizer que não gosto muito dos álbuns recentes deles, mas o primeiro disco foi um achado. Era muito bacana.

Bem, é dureza fazer o sucesso do primeiro disco perdurar. Vocês estão nesse momento da vida, não?

Sim, é difícil. No primeiro disco, sempre é mais divertido porque não tem muito blá-blá-blá, você faz um álbum para ter músicas suficientes para um show, faz o disco com tudo que tem à mão, todo mundo se diverte e não tem uma expectativa alta demais. Daí você vai lançar um segundo disco e descobre que as pessoas esperam mais, que não vão te perdoar se você não se superar. O que fizemos foi buscar algo de nossas almas, de nossa verdade.

Há um ano, vocês eram considerados uma banda indie, de lugar modesto no cenário pop. Mas agora estão abrindo shows para os Black Keys, estão sendo convidados para festivais no mundo todo. Como definiria o lugar da banda na cena rock atual?

É uma questão interessante. Porque nós realmente mudamos nossa trajetória. Fizemos uma coisa muito diferente nesse nosso segundo disco em relação ao primeiro, Wall of Arms. Buscamos um resultado mais conceitual e que, ao mesmo tempo, não nos deixasse associados a nenhuma outra banda. Fizemos de uma forma muito democrática, todos colaborando para o resultado final. Mas o princípio é o mesmo: conseguir uma boa coleção de canções que pudéssemos tocar num show divertido.

Vocês parecem demonstrar mais ambição agora, tanto que foram atrás de Tim Goldsworthy, da DFA, para produzir seu novo disco.

Acho que a associação com Tim Goldsworthy foi para conseguir aquele resultado conceitual. Um resultado compacto e adequado para um álbum, não aquele tipo de disco que busca soar como uma banda ao vivo. Quando a gente disse ao meu pai que ia trabalhar com o Goldsworthy, ele disse: "Legal! Adoro aquele tipo de mistura que ele fez como Massive Attack!". É justamente isso. Gosto mais de um tipo de música que busca apenas ser música e ser bonita do que rebelar-se contra a geração anterior.

E como estão encarando essa primeira turnê pela América

Latina?

Estamos com uma esperança, de que tudo se desenrole como num feriado prolongado, que sobre tempo para andar, conhecer.

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