'Bobby' rediscute o mito e a época de Robert Kennedy

Filme que chega às telonas do País nesta sexta traz o assassinato do senador americano

REUTERS

07 de julho de 2026 | 14h16

Ator, diretor e produtor, Emilio Estevez recria em Bobby o clima e os ideais dos Estados Unidos às vésperas da eleição presidencial de 1968.O drama, que estréia em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre na sexta-feira,27,  acompanha o dia 5 de junho de 1968, quando o senador democrata Robert Kennedy, de 42 anos, foi assassinado.A história é contada pelo ponto de vista de 22 pessoas que trabalhavam em sua campanha para presidente ou no Hotel Ambassador, em Los Angeles, onde o crime aconteceu.Estevez (de Lembranças da Vida) cultivou por anos o sonho de realizar este filme, já que a história trágica de Bob Kennedy o havia marcado desde a infância - ele tinha 6 anos na ocasião.Pouco depois do assassinato, o pai de Estevez, o ator Martin Sheen, levou-o para visitar o hotel, onde Kennedy fez seu último discurso. Ele comemorava a vitória nas eleições primárias na Califórnia, que indicavam que ele seria o candidato democrata à Presidência, afinal vencida naquele ano por Richard Nixon.Estevez levou anos para escrever o roteiro, que ficou pronto em 2001. Por uma terrível coincidência, isso aconteceu uma semana antes dos atentados de 11 de setembro, o que o levou a adiar qualquer tentativa de produzir o projeto por mais algum tempo. Cinco anos se passaram até que pudesse realizar o filme, que tem produção executiva, além de atuação, de Anthony Hopkins, e um elenco verdadeiramente estelar.Ninguém interpreta o papel de Bob Kennedy, que aparece apenas em material documental - o que dá ao filme um toque de realismo, ao mesmo tempo que revela as razões de o senador ter permanecido um mito na memória de sua geração.John Casey (Anthony Hopkins) é o porteiro aposentado do Hotel Ambassador. Viúvo e solitário, não consegue deixar de frequentar seu antigo posto de trabalho diariamente. Lembrando das personalidades que conheceu, ele costuma passar as tardes jogando xadrez com seu velho amigo Nelson (Harry Belafonte). Na tarde de 5 de junho, o hotel vive um dia de grande expectativa, pois ali se realizará um pronunciamento do senador Bob Kennedy.A cozinha, especialmente, está em polvorosa. Tanto que foram canceladas as folgas, o que irrita particularmente um dos auxiliares, Jose (Freddy Rodriguez, da série "A Sete Palmos"), que tinha entradas para um importantíssimo jogo de beisebol naquela noite. A cozinha do hotel, aliás, é palco de vários conflitos por motivos étnicos, com disputas entre o sous-chef afro-americano (Laurence Fishburne) e alguns dos auxiliares de origem mexicana, além dos abusos de um gerente de alimentos e bebidas um tanto racista (Christian Slater).No salão de cabeleireiro do hotel, comandado por Miriam (Sharon Stone), a grande cliente do dia é a cantora que fará o show noturno, Virginia Fallon (Demi Moore). Alcoólatra radical, Virginia inferniza a vida do marido (Emilio Estevez), que corre de um lado para outro a fim de consertar seus vexames.Os integrantes da campanha de eleição de Kennedy formam um grupo bem variado. Dele fazem parte dois garotos bem inexperientes (Brian Geraghty e Shia LeBeouf), que deixam de lado sua obrigação de conquistar novos eleitores para experimentarem LSD num dos quartos do hotel, que serve de escritório a um traficante (Ashton Kutcher).Enquanto isso, outros assessores ficam sem dormir para trabalhar, caso de Dwayne (Nick Cannon), um afro-americano que está depositando toda sua confiança em Kennedy depois do assassinato do líder negro Martin Luther King, ocorrida apenas dois meses antes.Há hóspedes no hotel sem uma agenda política, como é o caso do rico casal formado por Jack e Samantha Stevens (Martin Sheen e Helen Hunt). Para eles, a estadia é apenas uma forma de procurar superar a depressão do marido. Bem diferente é o caso da jovem Diane (Lindsay Lohan), que se casa nesse dia com o amigo William (Elijah Wood, de O Senhor dos Anéis) apenas para livrá-lo da convocação para a Guerra do Vietnã.A personagem de Lindsay Lohan, aliás, é a mais diretamente calcada numa pessoa real. O diretor Emilio Estevez conheceu, por coincidência, uma recepcionista de um hotel na Califórnia que havia sido voluntária de Kennedy, se casara para livrar um amigo da guerra e estava no Ambassador no dia da morte do senador. Os demais personagens, embora inspirados em eventos realmente ocorridos naquele dia, são ficcionais.É verdade, porém, que cinco pessoas que estavam no hotel foram baleadas pelo assassino de Kennedy, Sirhan B. Sirhan. Todas elas sobreviveram.

Mais conteúdo sobre:
Bobby

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.