Boal encerra seminário sobre teatro

Diretor do Teatro de Arena de São Paulo entre 1956 e 1971, criador do Teatro do Oprimido e, certamente, o diretor teatral brasileiro mais conhecido internacionalmente - o único que já virou verbete nas mais importantes enciclopédias e dicionários de teatro do mundo - Augusto Boal encerra amanhã o seminário O Teatro e a Cidade.Promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, o seminário teve início no dia 8 e trouxe à cidade importantes pensadores da cena contemporânea internacional, entre eles o francês Jean-Pierre Sarrazac, o inglês Edward Bond, o russo Wolfgang Storch e os norte-americanos Michal Kobialka e Michael Denning. Lado a lado com brasileiros como Gianni Ratto, Gerd Bornheim, João Roberto Faria e Olgária Mattos, entre muitos outros, debateram temas como Teatro e Estado Hoje, Teatro Nacional e Sociedade Burguesa, Crise do Drama e Encenação Moderna.Em companhia da professora Iná Camargo Costa, autora de livros como A Hora do Teatro Épico no Brasil (Graal) e Sinta o Drama (Vozes), Boal vai encerrar o seminário debatendo sobre Movimentos do Teatro Popular no Século 20. À Agência Estado, Boal antecipou que falará de sua recente experiência com técnicas de Teatro do Oprimido em Nova York, de onde voltou na semana passada. Exatamente 30 dias após o ataque às torres gêmeas, Boal iniciou uma oficina no Theatre of the Opressed Laboratory de Nova York, combinada com antecedência de mais de um ano.Nada parece mais apropriado para um seminário intitulado O Teatro e a Cidade. "Quero falar sobre essa experiência em Nova York, mas principalmente sobre o trabalho que o Centro do Teatro do Oprimido vem realizando em 32 prisões de São Paulo", diz Boal. Cinco integrantes do CTO do Rio vêm periodicamente a São Paulo onde se encontram com monitores que trabalham diretamente com os presidiários."Há um mês, em Presidente Prudente, os presos apresentaram-se em Praça Pública." Eles representaram o chamado Fórum, técnica do Teatro do Oprimido na qual os atores criam uma cena e interrompem no momento do impasse, quando pedem à platéia que dê soluções para a cena. "O tema era a vida na prisão e as dificuldades do retorno à sociedade. É uma experiência muito importante para a comunidade participar de uma representação como essa. As pessoas que estavam na praça intervieram, apresentaram soluções, refletiram sobre os problemas."Boal vai falar ainda de outra experiência que está sendo realizada no Rio, o Teatro Legislativo, por meio do qual vem criando projetos de lei. "Quero resumir tudo isso para falar pouco e gastar a maior parte do tempo para debater com a platéia."Serviço - "O Teatro e a Cidade". Com Iná Camargo Costa e Augusto Boal. Quarta, às 19 horas. Grátis. Centro Cultural São Paulo/ Sala Jardel Filho. Rua Vergueiro, 1.000, em São Paulo, tel. (11) 3277-3611. Último dia.

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