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Boa mesa

Além de ajudar a passar o tempo e exercitar o cérebro, os jogos são uma excelente forma de interagir com as pessoas próximas e ainda dar boas risadas.

Daniel Martins de Barros, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 03h00

Muitas pessoas têm comentado que vêm se sentindo aflitas nesse período de quarentena. Isoladas em casa, sem ter muito com quem falar, cercadas pelo silêncio delas mesmas, ficam desconfortáveis com a falta de movimento. Se você é uma dessas pessoas, queria te pedir um favor: preste muita atenção ao que está sentindo. Muita mesmo. Porque é assim que eu me sinto numa festa. A mesma aflição. O mesmo incômodo. O mesmo desconforto.

A vida de nós, introvertidos, é assim. Enquanto os extrovertidos gostam de movimento, barulhos, gente, nós queremos silêncio, tranquilidade, solitude. Mas são os extrovertidos que ganham a chancela da normalidade. O normal é querer sair para uma noitada - não é normal preferir ficar em casa lendo. Puro preconceito, claro. Na sociedade existe espaço para tudo e todos, mas existe uma expectativa de comportamento - e ela privilegia a extroversão. 

Mas não se desespere. Enquanto a situação não ameniza, não precisamos ficar desconectados dos outros. E como bom introvertido vou dar uma dica preciosa para fingir que estamos numa sexta-feira habitual. Sem sair de casa, claro. E sem reunir a galera.

Essa é a mágica dos jogos de tabuleiro. Eles permitem simular vivências complexas e ricas em ambientes controlados, com duração predeterminada e regras claras. Ok, pode não ser um sonho de consumo para um verdadeiro extrovertido. Mas assim como um introvertido é capaz de lidar com suas características para ir a eventos sociais, fazer amigos, estabelecer relacionamentos e aproveitar essas experiências, o extrovertido pode curtir bastante uma partida de um bom jogo. Muitos de minha geração ainda pensam em War ou Banco Imobiliário quando se toca nesse assunto, mas o mercado de jogos se transformou nos últimos anos, estimulando a proliferação de títulos sofisticados e dinâmicos.

Só como exemplos de jogos com temas ligados aos finais de semana de antigamente - aquele tempo pré-covid-19 - dois jogos recém-lançados, já disponíveis no Brasil, podem matar a saudade de quem tem sentido falta de uma boa happy hour.

No jogo As tabernas do vale profundo, trazido ao País este ano pela editora Devir, dois a quatro jogadores são os donos de aconchegantes bares numa pequena vila, competindo para tentar atrair mais clientes para seu estabelecimento. Cada um tem um tabuleiro individual à sua frente, representando sua taberna, no qual pode fazer modificações ao longo das rodadas - aumentar a quantidade de mesas abre espaço para mais fregueses, mas isso adiantará pouco se você não tiver cerveja suficiente para eles, ou se contar com garçonetes de menos. Cartas e dados limitam as decisões possíveis, deixando, entretanto, um belo espaço para estratégia.

Mas se você prefere vinho, a mesma editora havia lançado um pouco antes o jogo La Viña. Nele, até cinco participantes são herdeiros de uma vinha abandonada e precisam mostrar seu valor como bons produtores ao selecionar uvas, produzir vinho e vendê-lo para as adegas do entorno. Os jogadores se alternam em turnos que simulam uma travessia pela propriedade, ao longo da qual cartas representando as uvas Garnacha, Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Pinot Noir devem ser colhidas de olho no que as adegas querem comprar.

Pode não ser a mesma coisa que sair com os colegas ou ir a um wine bar. Mas, além de ajudar a passar o tempo e exercitar o cérebro, os jogos são uma excelente forma de interagir com as pessoas próximas e ainda dar boas risadas.

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