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Blues para uma cidade triste

São Paulo é o tema de livro que Klaus Mitteldorf lança amanhã

Simonetta Persichetti, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

Se fosse músico, o paulistano Klaus Mitteldorf escolheria o blues para interpretar. Como fotógrafo, ele tem na tonalidade azul e todas as suas gamas sua cor preferida. E é dessa forma que nasce o trabalho São Paulo Blues (Terra Virgem Editora), livro que será lançado amanhã, em edição bilíngue (português e inglês) na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

As fotos são predominantemente azuis ou então de um preto bastante fechado. Um tom melancólico, como o é também o ritmo musical. Parte das imagens que integram o livro também pode ser vista no Museu da Imagem e do Som - MIS (Avenida. Europa, 158) até fim de março.

São Paulo Blues não foi planejado. Ele é consequência de uma década de ensaios que, por motivos profissionais ou por coincidência, foram realizados na cidade. Talvez isso tenha sido feito um pouco a contragosto, visto que não conseguia se entender com a metrópole na qual nasceu: "Para mim, São Paulo era feia, cinza, fria". Mas ela foi poucos mudando e se transformando diante dos olhos do fotógrafo que aos poucos a descobria. "Estive em lugares onde, em geral, as pessoas não vão passear ou que nem sempre têm familiaridade, como a periferia ou a antiga cracolândia. Visitei diversos locais aos quais fui conhecer de ônibus e uma nova cidade apareceu", conta Klaus Mitteldorf em entrevista por telefone.

Uma São Paulo feita de detalhes, de marcos, de pequenas imagens tiradas, a maioria, ainda de forma analógica outras já digitalmente. Trabalhadas no laboratório, positivos transformados em negativos depois invertidos, uma busca bastante pessoal. "Nunca tinha feito um trabalho com essa característica, mostrar um outro lado. Gosto de recriar o que eu vejo e a cor azul foi aparecendo e se impondo. Toda imagem tem dois lados é só procurá-los", garante ele.

E assim uma crônica da cidade foi nascendo. Não uma São Paulo standard, nem uma visão deslumbrada, mas imagens minimalistas, recortes de lugares como Largo da Batata, Capão Redondo, Estação da Luz, centro, Faria Lima, Anhangabaú. Uma metrópole que não se reconhece à primeira vista, até por que registrar São Paulo não era a intenção de Klaus. "É uma visão muito particular minha, é a minha cidade, são os meus marcos de São Paulo", comenta.

E é dessa forma que ele construiu esse trabalho: "Como se eu escrevesse uma música por dia para São Paulo, é assim que eu vejo essas fotos". A cidade mudou, Klaus Mitteldorf também. Hoje, ele se confessa apaixonado por ela. "Esse livro é a minha primeira homenagem à mais caótica e apaixonante cidade do mundo... a minha São Paulo." Talvez por isso tenha escolhido a semana de aniversário da cidade para lançar o livro: a sua primeira sinfonia visual.

SÃO PAULO BLUES KLAUS MITTELDORF

Livraria Cultura. Avenida Paulista, 2.073, Conjunto Nacional. 3170-4033. Amanhã, 18h30.

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