Blues: marcas de um pianista autêntico em sua terra natal

ARI BORGER

O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h10

BACK TO THE BLUES

Gravadora: ST2

Preço médio: R$ 28

ÓTIMO

Ari Borger joga em um campo só aparentemente tranquilo. Tocando blues no Brasil, tem de domar outras feras que não só a linguagem. Ari, ao lado de sua AB4 (Celso Salim na guitarra, Rodrigo Mantovani no baixo e Humberto Zigler na bateria), burla a descrença em um gênero muitas vezes só aceito por aqui como simulacro do que fazem os norte-americanos e se joga na tradição deixando suas próprias marcas. Back to the Blues, seu retorno às raízes depois de passeios por outros territórios, é um exemplar do quanto este gênero se desenvolveu sobretudo em São Paulo. Bem gravado e quente, provavelmente fruto da opção em se fazê-lo ao vivo no estúdio, sem sobreposições de instrumentos, permite ouvir Ari em todas as suas artimanhas de timbres e solos que o colocam à frente de uma proposta instrumental. Da nova geração de instrumentistas, Ari está no time A. Sua linguagem não quer reinventar a roda que gira há décadas, mas tem sentimento e verdade. A voz esplêndida de Bia Marchese, a única cantada do disco, deixa I'd Rather Go Blind irresistível. Ao final, ouvir Ari no êxtase de Boogie Train ou na angústia de Key to the Highway é transportar-se pela estrada que aparece na capa do disco, esteja o ouvinte onde estiver. / JULIO MARIA

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