Bloomsday lembra James Joyce com série de eventos

Programação em centros culturais e na internet reunirá fãs do escritor irlandês, autor do clássico Ulisses

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2013 | 02h13

A história se repete todos os anos desde o final da década de 20 do século passado: no dia 16 de junho, leitores de James Joyce se reúnem ao redor do mundo para celebrar o autor de Ulisses (1922), obra que se passa integralmente no dia 16 de junho de 1904. Foi quando Joyce saiu pela primeira vez com Nora, sua futura mulher, e dia em que Leopold Bloom, o protagonista, passa perambulando por Dublin e pensando em Molly. E serão justamente as mulheres de Joyce, reais e ficcionais, o tema do Bloomsday paulistano, que já teve alguns eventos durante a semana, mas cuja programação se concentra hoje e amanhã - o grande dia.

Se em Dublin os fãs de Joyce vestem-se com roupas de época e caminham pelos cenários do romance, param pelo caminho para um café da manhã com torradas, salsicha e feijão, ou para uma pint no centenário Davy Byrnes Pub, em São Paulo o evento é mais discreto, mas ainda assim tradicional. Há debates, apresentações musicais e teatrais e leituras de trechos dos livros do irlandês. Entre os locais, Casa Guilherme de Almeida, Casa das Rosas, Centro Cultural São Paulo e, claro, um pub - o Finnegan's.

Sempre cultuado, Joyce tem tido seu público renovado a cada ano, e o fato de a obra dele ter entrado em domínio público em 2012 fez com que novas traduções e edições mais acessíveis chegassem às livrarias.

"É incrível como essa obra ainda tem tanta repercussão. Ela é inesgotável", comenta Marcelo Tápia, diretor da Casa Guilherme de Almeida, poeta e tradutor que participa do Bloomsday em São Paulo desde que ele foi criado por Haroldo de Campos, em 1988 - primeiro como espectador e desde 1992 como uma dos organizadores.

Com início em 7 de junho e prevista para terminar em 14 de julho, a Ocupação James Joyce no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3397-4002, R$ 15) apresenta hoje, às 21 h, a peça Ulisses Molly Bloom - Dançando para Adiar, da Cia. Estrela Dalva. Amanhã, às 20 h, o espetáculo será gratuito e terá trilha sonora feita ao vivo pela banda À Deriva.

Na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, tel. 3285-6986), a programação vai centrar-se em Haroldo de Campos e às 14 h será realizado o simpósio Signos: A Coleção Haroldiana & a Poesia de Antes e de Agora, com Jacó Guinsburg, Aurora Bernardini, Frederico Barbosa, Michel Sleiman, Yun Jung Im, entre outros.

O happening do Finnegan's (Rua Cristiano Viana, 358, tel. 3062-3232) começa às 16 h de amanhã e terá entrada gratuita. Haverá leituras de obras de Joyce, dramatizações, apresentações musicais e muito mais.

Uma leitura mundial de Ulisses, promovida pelo James Joyce Center, da Irlanda, envolverá a Casa Guilherme de Almeida. Às 21h30 de amanhã, Alzira Allegro, Aurora Bernardini, Donny Correia, John Milton, Marcelo Tápia, Simone Homem de Mello e Susanna Busato se revezam na leitura dos fragmentos dos episódios Ithaca e Penelope. A atividade completa, que contará com leituras feitas por pessoas de 20 cidades ao redor d o mundo, em inglês, e durará cerca de 24 horas, pode ser acompanhada no site www.globalbloomsday.com.

Em Florianópolis, o evento comandado por Dirce Waltrick do Amarante e Sérgio Medeiros será amanhã e online (www.qorpus.paginas.ufsc.br), com leituras e vídeos.

O Bloomsday serviu de inspiração para o Dia D (Drummond) e a Hora de Clarice (Lispector).

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