Blogs não assustam mercado editorial

Os blogs são boa alternativa para autores de todos os tipos, inclusive os descontentes com o mercado editorial, mas as grandes editoras não parecem preocupadas com a potencial concorrência. "Os blogs vão continuar a crescer, mas serão sobretudo um meio de as pessoas trocarem opiniões sobre livros e fazerem indicações de leitura", disse Jane Freidman, presidente e CEO da HarperCollins, uma das maiores editoras do Reino Unido, durante recente seminário na London Book Fair 2005, no Olympia inglês. A mais famosa feira britânica de livros, que ocorreu de 13 a 15 março, dedicou um debate especial às perspectivas do setor para os próximos dez anos, com representantes de quatro editoras, e o fenômeno da blogosfera surgiu entre os temas principais. Para a única autora presente, Kate Mosse, blogs podem servir como plataforma de lançamento de talentos que jamais chegariam aos livros. Ela foi mediadora do debate e só fez comentários rápidos, alguns ligeiramente críticos. A principal executiva da HarperCollins acha que as páginas de comentários pessoais na internet vão fomentar a venda de livros em vez de prejudicar as editoras. "As pessoas precisam de indicações de livros para comprar", explicou. A web tende a ser um ambiente de maior exposição para livros e maior facilidade de venda, prevê Tim Hely Hutchinson, executivo-chefe do Hachette UK Book Group. "As editoras não têm o poder de estar exatamente onde o leitor está, e a internet cria novas formas de compra", disse ele. Hutchinson se preocupa mais com outro fenômeno tecnológico: os e-books. Não os considera uma ameaça, e sim um desafio. "Muitos grupos estão cegos em relação à edição eletrônica", advertiu. O executivo não prevê um "crescimento exponencial" deste segmento, mas acha que o livro eletrônico já está mudando o mercado, com cerca de 900 títulos no Reino Unido, a maioria deles ligada a temas de educação. O maior desafio dos grupos editoriais, entretanto, é vencer a corrida da concentração. Segundo o representante do Hachette, o mercado internacional tende a ser dominado por poucos ao longo dos próximos 10 anos. "Temos sete ou oito grandes casas editoriais que detêm quase 90% dos best sellers nos Estados Unidos e no Reino Unido, e devem restar apenas três ou quatro", previu. Hutchinson teme um desequilíbrio perigoso entre editoras poderosas e o varejo de livros. * O repórter viajou a convite do Consulado Britânico em SP

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