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Fábio Porchat
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Black Mirror

Já comentei aqui algumas vezes como eu gosto de assistir a séries. Algumas me viciam, outras são só para distrair, mas algumas te pegam em algum lugar mais profundo. Foi o caso de Black Mirror, que está disponível no Netflix. Uma série inglesa da qual eu nunca ouvi ninguém falar sobre, até que a conectadíssima Rosana Herman me recomendou.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2015 | 02h00

Senhoras e senhores, que porrada. Cada episódio é uma história diferente e única. São praticamente filmetes de mais ou menos 45 minutos, que não têm nada a ver um com o outro. A única coisa que os une é o tema: como a tecnologia pode interferir nas nossas vidas para o bem e para o mal e até onde ela nos moldará como sociedade.

É uma mistura de ficção científica futurista com crítica ao mundo atual contada de forma um tanto quanto surrealista. O primeiro episódio já começa logo dando uma porrada (atenção, pode parecer spoiler, e meio que é, mas é só uma sinopse): a princesa da Inglaterra é sequestrada e a única exigência do criminoso para libertá-la é que o primeiro-ministro inglês faça sexo com um porco, ao vivo, em rede nacional. Pois é.

A série toda é esquisitíssima, mas muito bem escrita e as situações bem amarradas. Você se pega envolvido com cada trama e sempre surpreendido com o que vem a seguir. Não vou contar as histórias dos outros, mas todos valem a pena. A relação que cada um dos episódios faz com a nossa sociedade de hoje, nos faz pensar que, talvez, o que está sendo mostrado não seja tão maluco assim, talvez o agora seja tão maluco quanto.

Num mundo em que explodir pessoas tem se tornado rotina, desastres ecológicos são ignorados e colocados em segundo plano, políticos se importando cada vez menos, alguém transando com um porco na TV pode até parecer banal. Será que já não existe um programa de televisão assim? Se bobear é uma prova do BBB.

É difícil sair ileso depois de Black Mirror. O texto pega a sua cabeça e joga para um outro lugar, o faz avaliar as coisas por um novo ângulo. Como é importante ter contato com esse tipo de arte, nos dias atuais. Que não tem como finalidade somente entreter, e, sim, também fazer pensar. Mas pensar de verdade, se aprofundando em questões. Na TV e na internet, isso tem se mostrado raro. Os temas colocados em foco pelo seriado são fundamentais para nos compreendermos como seres humanos. Assiste e me fala.

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