Black 2 black para agitar a Leopoldina

Estação de trem do Rio recebe a 2ª edição de mostra que celebra a África

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

 
Há um ano, mais de 7 mil pessoas ocuparam a centenária estação de trens da Leopoldina, no Rio, para assistir a debates, cantar e dançar, numa celebração da África e de sua multiplicidade cultural. Na segunda edição, o Festival Back 2 Black promete, de hoje a domingo, encontros interessantes, como o de Carlinhos Brown e o nigeriano Seun Kuti, filho de Fela Kuti, que vem com a banda Fela"s Egypt 80, e o de Arnaldo Antunes com Toumani Diabaté, da República do Mali.

Não é um evento de temática étnica, diz a portuguesa Connie Lopes, uma das diretoras artísticas. "Queremos falar da África mais pop, da cultura que se produz hoje e a sua influência no mundo."

Amanhã, apresenta-se no palco principal, às 23h30, depois de Arnaldo e Toumani, a cantora americana Erykah Badu (foto). No Palco Urbano, 23 h, Theophilus London (EUA), Joya Bravo (EUA) e, mais tarde, o ex-Eurythmics Dave Stewart, com participações da cantora Judith Hill (EUA), da violinista Ann Marie Calhoun (EUA) e da cantora jamaicana Nadirah X. No domingo, 19 h, o blues pauta encontro entre Elza Soares, Frejat, Mart"nália, Taj Mahal (EUA) e Vieux Farka Touré (Mali). Para o encerramento, foi "importado" o tradicional baile de charme do viaduto do subúrbio de Madureira.

Para os debates, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, curador desta edição, convidou Joyce Banda, vice-presidente do Malauí, para conversa com o escritor nigeriano Chris Abani, e o sociólogo brasileiro Rubem César Fernandes, do Viva Rio. A conversa, sobre o papel das ONGs na luta pelos direitos humanos, será hoje, 19 h. Domingo, 17 h, Cacá Diegues, o angolano Mia Couto e o moçambicano-brasileiro Ruy Guerra falam sobre literatura, música e cinema.

O sucesso do ano passado pegou os organizadores de surpresa. Tanto que eles chegaram a cogitar realizar a edição 2010 numa locação maior. Acabaram ficando na Leopoldina por não resistirem ao encanto que a estação empresta ao evento -, mas decidiram expandir os domínios para mais uma plataforma. A capacidade será agora de 5 mil pessoas por dia (em 2009, os frequentadores somaram metade disso). A estação estava fechada antes de o Back 2 Black chegar.

"Na primeira vez foi surpreendente. Recebemos um público que não se reuniria em nenhum outro lugar, bastante misturado em termos de idade, raças, classes, bairros", avalia Connie.

Em sua ficha técnica, estão ainda Vik Muniz e Gringo Cardia (na direção de arte e cenografia). O ambiente terá fotografias do brasileiro Walter Firmo e do maliano Malick Sidibé. A programação está em www.back2blackfestival.com.br.

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