Biss: conceitos envolventes

O mais jovem do trio é o pianista americano Jonathan Biss, de 31 anos. Ele começa sua integral Beethoven pelo selo Onyx justamente com uma leitura convencional da Sonata Op. 10 n.º 1. O CD também traz as sonatas opus 22, opus 26 e a opus 81 a, a famosa "Les Adieux". O diferencial está em outra mídia: o ex-aluno de Leon Fleisher no célebre Curtis Institute, escreveu um e-book contando suas aventuras com Beethoven (Beethoven's Shadow).

O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h10

Não. Não é o que você está pensando. É um livro delicioso. Você acompanha o modo como o jovem pianista, ainda aluno de Fleisher, foi aos poucos adentrando o universo da música de Beethoven. Afinal, Fleisher estudou com Arthur Schnabel, que estudou com Theodor Leschetizky, que estudou com Carl Czerny, que foi segundinho do próprio Beethoven. Uma linha aparentemente direta que "concede" autoridade a todo descendente. Será? Jonathan considera "totalmente sem sentido" este papo. "Qualquer pianista pode traçar uma genealogia desse tipo. Até eu, via Fleisher."

Ao menos uma coisa Fleisher, excepcional pianista, ensinou a Biss. "Durante uma aula, não conseguia tocar uma passagem como Fleisher me pediu. Reclamei que era difícil demais. Era um argumento descartável, reconheço, mas a resposta dele foi séria. 'Está certo. Como meu santo professor gostava de repetir, nenhuma interpretação é tão perfeita quanto a obra - isso só acontece na nossa imaginação.'"

Embarcar na integral das 32 sonatas significa, para ele, confessar que "a gente ama - uma pessoa, uma ideia, uma obra de arte - não a despeito do risco de perdê-la, mas porque é um modo de nos perdermos a nós mesmos. As qualidades que me levam a escrever sobre esta música são as que tornam impossível escrever sobre ela. Se pudéssemos expressar ou explicar o conteúdo emocional de uma peça musical em palavras, haveria razão para tocá-la? Estou gravando as sonatas porque elas me tiram o fôlego: o desespero no movimento lento da Hammerklavier; a raiva na Appassionata. Não vejo um jeito melhor de me perder do que nessas maravilhas"./ J.M.C

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