Biquíni completa 55 anos e continua na moda

Os rapazes da música Era um Biquíni de Bolinha Amarelinha acharam que Anamaria ficou sensacional dentro do sumário duas-peças. Prestes a completar 55 anos, o biquíni continua fazendo bonito, colocando o Brasil como o lançador de moda mundial quando o assunto é praia.Só no Brasil, são vendidos cerca de 50 milhões de peças a cada ano. Sem contar as outras 500 mil peças que são exportadas, fazendo a alegria de norte-americanas e européias mais ousadas.A marca Rosa Chá é uma das principais responsáveis por essa invasão de biquínis que destoam dos modelos norte-americanos e europeus nas prateleiras de lojas como Barneys, Language, Bloomingdale´s, Neman Marcus e Saks Fifth Avenue, em Nova York, e Harvey Nichools, em Londres.A marca nasceu há 12 anos numa pequena casa no bairro do Bom Retiro, produzindo 1 mil peças por ano. Hoje, produz 400 mil unidades por ano ? sendo que 9% da produção é vendida em 120 pontos-de-venda do exterior. Amir Slama, dono da empresa, que hoje está instalada em um prédio com mais de 3 mil m², conta que, há cerca de quatro anos, os biquínis e maiôs da marca são vendidos nos Estados Unidos e na Europa. O ano passado, no entanto, pode ser considerado como um marco. "Participamos da Semana de Moda de Nova York, em setembro. Foi a primeira vez que uma marca brasileira de moda praia participou. E olha que tem passar por aprovação. Isso abriu muitas portas", diz ele, ressaltando que isso valeu boas citações sobre a marca até na rede de tevê norte-americana CNN.Para Slama, a globalização também é benéfica quando o assunto é biquíni brasileiro entre americanas e européias. "As brasileiras estão descobrindo agora os seios. As americanas estão descobrindo o bumbum." Por isso, os produtos exportados seguem exatamente a modelagem brasileira. Portanto quem visitar uma das seis lojas próprias da Rosa Chá no Rio de Janeiro e em São Paulo, as dez franquias ou 380 pontos-de-venda brasileiros encontrará os mesmos modelos da coleção Tropical Chic que dividirão espaço com Prada e Gucci em butiques famosas do outro lado do mundo. Slama ? que embarcou ontem para Monte Carlo para conhecer as novidades em tecidos e tecnologia que serão apresentados durante uma feira do setor ? conta que a atual coleção destacou a feminilidade da mulher, lembrando os anos 50.A Cia. Marítima, que produz 700 mil peças por ano, já está há mais tempo no mercado internacional. Desde que foi criada, há 10 anos, a marca é vendida no Japão, nos EUA, na América do Sul e na Europa. Em 2000, 170 mil peças da Cia. Marítima e da Acqua Mundi (marca mais popular da empresa) puderam ser vistas em grandes magazines europeus ou supermercados.Neste ano, Benny Rosset, dono da empresa, diz que já foram exportados 205 mil biquínis e maiôs.Para países como Portugal, França e Grécia, a empresa chega a vender metade dos produtos na modelagem ousada, tradicionalmente brasileira, e metade seguindo o padrão mais comportado. ?O Brasil está na moda, então as consumidoras ficam mais animadas para experimentar esses modelos.?A marca carioca Lenny também agrada as consumidoras estrangeiras. Mas justamente as que não se adaptam ao padrão de biquíni minúsculo cultuado no Brasil. A marca tem linhas para todos os gostos: desde o tradicional biquíni de lacinho, para quem está com tudo em cima, até os mais comportados, para quem não está tão de bem com o espelho.Em 2000, a Cia. Marítima cresceu cerca de 15% em relação ao ano anterior. Bom crescimento também pôde ser verificado pela Rosset, uma espécie de empresa-mãe da marca, que produz tecidos em lycra. ?A Rosset cresceu muito no ano passado porque o mercado cresceu muito?, diz, sem revelar números. A DuPont também está satisfeita com o mercado brasileiro. Tanto que investiu US$ 107 milhões na instalação de uma segunda fábrica de Lycra em Paulínia, no interior de São Paulo. A intenção da empresa com a fábrica, que deve entrar em operação em outubro deste ano é acompanhar o rápido crescimento do consumo de lycra no País e ter produção até para exportar para a América do Sul.

Agencia Estado,

08 de janeiro de 2001 | 21h21

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