Biquíni brasileiro vira referência na cena fashion

A intimidade com a praia pôs o Brasil num lugar de destaque na moda internacional. O país do futebol e do carnaval agora também é conhecido no exterior como o país que faz os melhores e mais bonitos biquínis e maiôs do mundo. A fama não veio por acaso e levou anos para ser consolidada. Antes foi preciso investir em profissionalização, design e muita tecnologia para conquistar os estrangeiros e transformar o biquíni brasileiro numa marca global, referência para o resto do mundo.Hoje, as peças nacionais são disputadas por grandes lojas internacionais multimarcas, que vendem roupas de grifes famosas, como Gucci, Dolce & Gabana, Prada e Donna Karan, entre outros. Segundo Lenny Ortiz Niemeyer, da Grife Lenny, o que importa para os estrangeiros é a etiqueta Brasil nas peças que serão colocadas em suas lojas. "O glamour e a cultura de praia no País encantam os ´gringos´, que querem importar o estilo da mulher brasileira."O sucesso do produto nacional está na modelagem mais ousada, na estamparia alegre das peças e, principalmente, na criatividade, argumenta a estilista e dona da Salinas, Jacqueline De Biasi. Na opinião dela, é muito fácil diferenciar um biquíni brasileiro de um estrangeiro. Além dos modelos, que todos tentam copiar, os tecidos lá fora são mais finos e as estampas, mais discretas. "Nós passamos o ano inteiro estudando novidades, por isso ditamos tendências no mercado mundial", afirma Lenny.Mas a história do biquíni brasileiro nem sempre foi um "mar de rosas", apesar de criar frisson no exterior a cada lançamento. Segundo Jacqueline, no início todos os fabricantes tentavam fazer um modelo exclusivo para as clientes estrangeiras, mas com a cara do Brasil, o que incluía estampas de periquitos e araras. A receita não deu certo, pois "as peças não tinham a cara de ninguém", lembra. "Chegou um momento em que desisti e resolvi que se alguém quisesse o nosso biquíni teria de ser igual ao modelo usado no Brasil. Foi aí que comecei a consolidar a marca no exterior."Ajustes - Apesar de o padrão brasileiro predominar, os modelos têm de passar por alguns ajustes até chegar às mãos das clientes estrangeiras, afirma o presidente do Consórcio Pantanal, Alexandre Bertocello, que reúne 6 indústrias e 5 cooperativas, que exportam 40% da produção. Às vezes, o tamanho G nosso é o P deles, explica Jacqueline. "Em Portugal, por exemplo, o tamanho P é o nosso M."Com o sucesso, o volume de exportação do Brasil vem crescendo a cada dia. No ano passado, o País vendeu para o exterior US$ 7 milhões. Mas o número deverá ser superado neste ano. Para se ter idéia, até abril a indústria de biquínis e maiôs havia exportado US$ 5,6 milhões, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecções (Abit). Os maiores importadores são Estados Unidos, Portugal e Itália, mas as peças brasileiras vão para todas as partes do mundo, incluindo Emirados Árabes.

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