Biógrafo comemora edição, mas discute escolha de textos

Um dos principais responsáveis por manter a chama de H.L. Mencken acesa na virada do século tem em comum com ele a inquietação do polímata. Terry Teachout, autor de The Skeptic: A Life of H.L. Mencken (O Cético: Uma Vida de H.L. Mencken, publicada pela Harper Collins em 2002), é jornalista, crítico de jazz, compõe libretos de ópera e é o crítico de teatro do Wall Street Journal, além de blogar diariamente no site cultural About Last Night. Ele é também o autor de uma pequena biografia do coreógrafo russo Georges Balanchine e do bem-sucedido Pops - A Vida de Louis Armstrong (lançado no ano passado no Brasil pela editora Larousse).

LÚCIA GUIMARÃES, DE NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2011 | 00h00

Teachout comemora o lançamento da caixa dos volumes completos de Prejudices com uma ressalva. Ele teria começado por uma obra posterior, já que, explica, "Mencken continuou a editar os melhores ensaios e alguns só chegaram ao ponto ideal com a publicação de A Mencken Chrestomathy (Uma Crestomatia de Mencken), em 1949". Em The Skeptic, Teachout ressalta que Mencken editava e reeditava textos já publicados. Para um homem que vivia do jornalismo, Mencken era mais do que preocupado com a posteridade. Teachout cita como exemplo o trabalho exaustivo de polir uma coluna inicialmente publicada no Baltimore Evening Sun em 1925, In Memoriam: W.J.B., obituário de William Jennings Bryan, político democrata e reacionário, que Teachout considera uma obra-prima do jornalismo de denúncia. O ensaio está incluído no quinto volume de Prejudices.

Terry Teachout responde à especulação inevitável sobre o lugar de Mencken no mundo da mídia contemporânea: "Ele seria influente, é certo, mas para um público muito menor do que nos anos 20. Suas posições políticas não caberiam nos moldes fáceis de hoje. Acho que os leitores agora preferem comentaristas mais previsíveis".

Apesar de biógrafo, Teachout mede a sua admiração e considera que a escrita mais duradoura de Mencken é justamente a que trata da cultura americana no sentido mais amplo - o caráter americano. "Boa parte de sua crítica literária", diz Teachout, "é sobre autores já esquecidos e Mencken não estava em grande forma quando criticava escrita imaginativa". "O fato é que ele sempre escrevia melhor quando se permitia ser engraçado."

Com a publicação póstuma de textos de Mencken como My Life as Author and Editor (Minha Vida Como Autor e Editor, 1993), aumentou o debate sobre o antissemitismo do "Sábio de Baltimore". Teachout não tem dúvidas sobre o que levou Mencken a não escrever sobre as duas guerras mundiais. "Ele foi pró-Alemanha na Primeira Guerra e antibritânico na Segunda Guerra. E me apresso a dizer que não era pró-nazismo. O que ele não compreendeu foi a extensão do mal representado por Hitler." Teachout acha que Mencken percebeu que não havia lugar para nuances de opinião sobre a guerra e preferiu se calar.

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