REUTERS/Stefano Rellandini
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Biografia conta como Vivienne Westwood inventou a moda punk com ajuda de Sid Vicious

O integrante da banda Sex Pistols tinha uma calça de gabardine rosa destruída que prendeu com alfinete de segurança, usado pela estilista como signo político

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2016 | 16h00

A vida da estilista inglesa Vivienne Westwood se confunde com o advento da moda punk, estilo que criou nos anos 1970 para vestir grupos como o New York Dolls ou o Sex Pistols com camisetas rasgadas e palavras de ordem impressas. É sobre essa mulher ativista, que vem se reinventando há meio século, que o biógrafo Ian Kelly se debruça em Vivienne Westwood (Rocco, 496 págs., R$ 69,50), livro sobre o lado B da milionária empresária de moda que morou em trailers e, a exemplo de Chanel, passou por situações adversas. Vivienne nasceu durante a Segunda Guerra, conheceu o racionamento e comeu uma banana pela primeira vez aos 7 anos.

O ‘estilo’ punk, colérico e descuidado dos Pistols foi consequência de um acidente, conta Ian Kelly. Sid Vicious tinha uma calça de gabardine rosa destruída por algum viciado em busca de drogas. Ele apareceu assim na loja da estilista, na King’s Road, 430, no Chelsea, com a calça presa por um alfinete de segurança. Vivienne teve um estalo.

O grupo punk, empresariado pelo companheiro de Vivienne, Malcolm McLaren, bem poderia encarnar uma moda de guerrilha urbana, pensou ela – e McLaren, que tinha faro para os negócios, cutucou a companheira para a estética do alfinete, isso em plena época de Pinochet e outros torturadores latinos. Resumo da história: toda Londres passou a usar a camiseta de Vivienne que estampava o rosto da rainha Elizabeth com um alfinete na boca, até a estilista ser presa, fazer barulho e chamar a atenção de Sergio Galleotti, administrador da Giorgio Armani, seu mecenas. O resto da história todos conhecem, da ressurreição do tweed ao pedestal plataforma de Carmen Miranda. Reciclar é mesmo com a ativista ecológica.

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