Kimberly White/Reuters
Kimberly White/Reuters

Biografia autorizada traz revelações sobre Steve Jobs

Relação de amor e ódio que o fundador da Apple nutria por Bill Gates está no livro que vendeu quase 400 mil exemplares em menos de uma semana nos Estados Unidos

Felipe Branco Cruz, Jornal da Tarde

23 de novembro de 2011 | 09h15

Poucos dias depois da morte de Steve Jobs, aos 56 anos, em 5 de outubro, em decorrência de complicações de um câncer, o jornalista Walter Isaacson anunciou que lançaria a biografia do fundador da empresa de tecnologia Apple. Isaacson já trabalhou na CNN, na revista Time, e escreveu as biografias de Benjamin Franklin, Albert Einstein e Henry Kissinger. A rapidez com que a obra foi lançada espanta, principalmente, porque é autorizada pelo próprio Jobs. A impressão é de que o criador do iPod e iPhone deixou tudo preparado para que o livro fosse lançado assim que ele morresse.

Em menos de uma semana, sua biografia vendeu quase 400 mil exemplares apenas nos Estados Unidos. Pouco tempo depois de publicada no exterior, em inglês, chega ao Brasil, pela Companhia das Letras, a versão em português, batizada apenas de Steve Jobs. Um dos motivos pelos quais Jobs aceitou fazer a biografia, segundo explicações de Isaacson, foi para que seus quatro filhos, Lisa, Reed, Erin e Eve, o conhecessem melhor, já que ele teria passado mais tempo trabalhando do que com a família. Ao todo, o autor se encontrou 40 vezes com o biografado, além de telefonemas e troca de e-mails.

 

Resumir a vida do presidente da Apple não é uma tarefa fácil. Isaacson conta, em seu livro, que Jobs tinha a capacidade de criar o que as pessoas próximas dele chamavam de “campo de distorção da realidade”. Quando queria provar algo ou cobrar algum novo produto, Jobs passava por cima de regras, prazos e orçamentos, criando o tal “campo de distorção da realidade”. Por causa disso, por vezes, o autor teve dificuldades em saber se o que ele falava era verdade ou mentira.

 

Steve Jobs fundou a Apple em 1976, junto com seu amigo Steve Wozniak, quando tinha 20 anos, na garagem de sua casa. Aos 25, tornou-se milionário. Aos 30, foi demitido da própria empresa. Depois, ajudou a criar a Pixar e revolucionou o cinema de animação. Em 1997, voltaria à Apple, que estava quase falida, para transformá-la na empresa mais valiosa do mundo. Nela, criou o iPod, o iPad e o iPhone, revolucionou a indústria da música e da telefonia, e reinventou o modo como lidamos com o computador.

 

Isaacson mostra que, apesar de genial, Jobs poderia ser uma pessoa bastante cruel e vingativa, mesmo com os amigos de longa data, como é o caso do Wozniak. Jobs também achava que certas regras não se aplicavam a ele. Seus carros nunca eram emplacados e ele sempre estacionava na vaga de deficientes físicos. Para ele, o mundo era dividido em pessoas geniais e em estúpidas.

Dentre as revelações mostradas no livro, está a relação de amor e ódio que nutriu durante toda a sua vida por Bill Gates, presidente da Microsoft. “Ele nunca inventou nada”, disse Jobs sobre Gates. Outra é o fato de Jobs, que é filho adotivo, nunca ter conhecido seu pai verdadeiro. Seu pai biológico trabalhava como garçom e chegou a comentar com amigos que “aquele pessoal da Apple frequentava o bar. Às vezes, até Steve Jobs aparecia”, sem saber que um dos homens mais ricos do mundo era seu filho. Anos mais tarde, ele descobriria a verdade. Quem lhe contou foi sua filha e irmã de Jobs, Mona Simpson, que também foi adotada, mas por outra família.

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